quinta-feira, abril 13

Transparências

Em transparências me vesti
A opacidade diluiu-se, em encantos
Ondulações de respirares mantenho
entre o vai-vem do dia-a-dia
igual, monocórdico, vulgar

Não mais alcanço o que restou de mim
Elemento amorfo de sentires, dúvidas
de ilusões perdidas no tempo
Nada busco. Tudo está feito, inacabado

Cores de imaginação s' evolaram
Não mais ilusões, nem centros de mundos
Tudo passou... em palavras vãs
d' esperanças e certezas ilusórias,
de momentos desejados, sem o ser,
de libertações, de voos, de sonhos
E tornei-me translúcida, transparente
impossibilitada de ver além do espelho

Sigo caminhos matematicamente delineados
sem secantes nem tangentes, sem intercepções
que alterem a rota definida
Se eu sou eu, se existo, não sei!
Me ilude vislumbrar uma réstia ténue
de esperança, um brilho no fundo do túnel
apelando à confiança em dias melhores

Transparente, escasseada de forças
a ela timidamente me agarro...
(pintura de Jorarsaa)
Posted by amitaf324 at 09:23 AM Comentários: (4) Outubro 15, 2004

1 comentário:

  1. Comments em arquivo:
    Comentários: Transparências
    Amita, belo e triste poema! Só quem tem poesia nas veias sabe sentir um amor tanto assim. Que o mundo te traga novas cores, novas rotas, nova esperança! Agradeço aqui as notícias sobre o maninho Mauro. Também sinto a falta dele e torço para que logo ele esteja de volta ao nosso blogmundo. Um beijo, amiga poetisa, e bom final de semana. Enviado por Neusa em outubro 16, 2004 12:56 AM
    Forte e muito belo o teu poema, amiga. Mas um tanto desanimado. Beijinhos Enviado por lique em outubro 15, 2004 06:09 PM
    Muito bonito o poema! Bastante expressivo. Enviado por mariah1979 em outubro 15, 2004 12:52 PM
    É uma forma... Beijo Enviado por Marta em outubro 15, 2004 09:36 AM

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