sábado, abril 29

No siêncio canto...














Será que um dia
ressurgirá a estrada
qu’à minha frente s’alinha
e que corre descuidada
por muros, betão armado
e nem a cidade ilumina?

Será que o azul do mar
cantará um hino d’amor e paz
pelas árvores pelas casas
e do parque que avizinho
soltarão pássaros trinos
nas canções inacabadas?

Será que na tela da praia
onde corpos jazem serenos
passará a voz do vento
rodopiando cantigas
numa eterna melodia
sem destino e sem senso?

Falarão as montanhas um dia
do deserto que as aninha?
Farão do céu estrelado
o seu leito inacabado
no vale qu'o vazio espreita?
Suaves são as letras de areia...

Daqui, onde me sento
tudo avisto nada vendo
Visto panos que não uso
e me dispo no silêncio
deste mundo nu e cru

terça-feira, abril 25

Cidade Imaginária
















Descobrem-se vozes em vendados sussurros,
dissecam-se as palavras em parcos minutos
e, das letras dispersas que pairam no ar,
saem muros que nem a ternura do olhar
espaça

Demarcam-se posições, lugares em escada,
constrói-se um roçar de lábios na praça
e, dos cantos num ultimatum emudecidos
chega a partida dos enlaces esquecidos
sem dores

Jorram-se poemas nus em cascata d’amores
perfeitos, pela aveludada aragem das flores
e, do sentido de posse marcado no espaço,
solta-se o silêncio do mundo num abraço
de sorrisos
doces

(pintura de Lucemar de Souza)



Poema in "Transparência de Ser"

sábado, abril 22

Na Hora do Arrepio












Por vezes
Quando a escassez do tempo se abre
Vagueio entre a prosa e poesia
Apanhadas ao acaso

Um dia
Encontrei belas palavras
E mergulhei inconsciente
No canto que as soletrava

Ante meus olhos corriam
Um caos em desatino
Afogado em falsas águas
Na obscuridade da noite densa
Um desafio vago, maldizente
Por flores que traços fazem
Uma obsessão demente
De utopia perdida no tempo
Na orla de sílabas espaçadas
Um caminho não cumprido
Que o Amor, a alegria
Consigo não traz

Tão iguais eram as palavras enfeitadas
Para agrado… sem brilho
Que fiquei suspensa na hora do arrepio
Adormecendo semanas

Quantas vezes
Um vazio desconhecido
Emudece o silêncio
Sereno
Da Paz



Poema in "Transparência de Ser"

terça-feira, abril 18

Os Cinco Sentidos













Na dança dos sentimentos
Em brancas letras me espraio
E desperto os sentidos
Canções de cada momento
Nesta ternura que avisto
D’um Outono em flor de Maio

Se te olho não te vejo
Se te toco não te sinto
Me falas e eu vagueio
No tempo do teu abrigo

No aroma que não cheiro
Desenho círculos e traços
Pontos mudos em abraços
Que serena saboreio

Se brancas palavras escrevo
E deslizam meus sentidos
Pinto beijos flores sem medo
Deste Abril num voo antigo
Qu’em laços perdura um vento
Feito de Amor e sorrisos

segunda-feira, abril 17

Chegam os Narcisos//Deambulações em final de Inverno

"Chegam os Narcisos"

Meus amigos
Declaro o tema complexo.
Trabalhei em céu aberto
E algumas noites a fio.
Para que dúvidas não restem
Vos digo
Dos meus passos percorridos
Na busca do belo narciso.

Desbravei a Psicologia
Botânica, Geografia
Na Matemática m’embrulhei.
Desfolhei dicionários, revistas
Enciclopédias, jornais
Naveguei na Internet
Muitos Narcisos avistei…
Não a flor que pretendia.

Virei-me para a Mitologia.
Tanto achei de Apolo e Diónisos.
Do que formigava meus sentidos
Tudo era escasso.

De olhos vítreos cansados
Com a mente aos pedaços
Parei.

Chegam os narcisos, é certo
Mas tão serenos, tão quietos
Que só quem ouvir souber
E d’olhos despertos estiver
Percebe que na actualidade
Tantos há pelos caminhos,
Em cada pedra, luar,
Campo, deserto, no ar…

Reflectidos
No seu próprio espelho d’água

(Vermoim, poesia com tema – 4/Mar/2006)
Publicado por amitaf324 em 01:15 AM Comentar (6)
Março 6, 2006



"Deambulações em final de Inverno"

Vagueio
Num deserto de mansas águas
Cada areia m’embarga a palavra
Pela brisa que me cala

Desejo
Sim... como desejo
Tudo aquilo que não posso
Não tenho
Em existência pacata

Invejo?
Não! Como poderia…
A vida é uma correria mecânica
Das sombras emudecidas
Pelo betão das cidades

Na pele sinto
As areias agrestes e finas
Nas mãos do vento Suão

Tento
O silêncio das árvores mansas
Onde peixes rochas aves
Descansam os estilhaços revoltos das águas
E dependuro o meu coração
Qu’entre passos embargados
Sangra máscaras
Que sinto e vejo (não)


Publicado por amitaf324 em 02:10 PM Comentar (2)
Fevereiro 28, 2006



Poesia in "Transparência de Ser"


Vida



















É dor, esperança, alegria.
Um sentir que se amofina
ante um olhar calado.
Um mar que nos beija, encanta
e com seus passos de dança
apaga rastos de outras vidas,
esboços na areia branca.
Um acto de amor em crescendo.
O germinar de sementes
com sorrisos de dor.
Deserto onde uma flor desponta
num arco-íris de cor.
Uma voz arrastada e rouca
espalhando a sua sina.
Fragmentos de vento
na tristeza escondida
de seres que nada contam.
Uma omissão que se pinta
em solfejos musicais,
se sofrida, se faminta…
Um coração comprimido
d’um amor que não alcança
aquela mão estendida
por ternura, da criança.
Uma montanha, uma rocha
uma árvore florida.
Simplicidade, fantasia
tecidas em fios de prata.
Uma nascente, uma fonte
uma pinga espreguiçada
que a sede ao velho mata
cansado e corcuvado
de tanto cavar a vida.
Banco ou vão d’escada
em cada canto, esquina
quando o tempo adormece
pelas moitas e estradas
o arrasto do peso de dias
de teias sem luz tecidas
nos passos amorfos, dolentes
dos malabaristas da vida.

A cegueira não entendo
mas sigo serenamente
lançando amor
e sorrisos
pela Vida

(pintura de Jane Yechieli)
Publicado por amitaf324 em 02:49 AM Comentar (7)
Fevereiro 19, 2006

Viagem // Dualidade

"Viagem"

Recuso!Dizes e eu acredito
Que seguir tuas palavras
Do verbo no infinito
Tece espelhos de prata

Recuso!Interiormente murmuras
E essas palavras duras
Não as segues
Nem te encantam

Me dizes nessa distância
Se nada existe nas letras
Como podes contemplar
O mar com suas vagas
O sol qu’esconde o luar
E em doçura amena
Desenhar o poema
Na constância

Não recuses nem t’espantes
Pelo nosso caminho errante
Habita um ponto comum
De onde derivam raios
Anseios de amor e luz
Não esmorece, constante
Fruto d’essência sentida
Mui breve cheia de vida
Tu és eu e eu sou tu.

Não recuses das letras
Seus passos serenos
No caminho nos sabemos
Inteiros e nus.

Publicado por amitaf324 em 02:08 PM Comentar (5)
Fevereiro 14, 2006



"Dualidade"

Doce sol-mar quente e terno
Encobre seus fios breves
Entre palavras de fogo

Olvidos de quem não teme
Não pretende e nem segue
Em cada cantar o brilho
Das folhas os voos silentes
Na dança em que renasço

O sol em letras se sabe
Evaporando o sorriso
Em éter forma o nada
O doce abrigo a estrada
Que corre sempre consigo

Doce amor que bem quisera
Saber-me unida na espera
De cada palavra sua
Que em delongas se atrasa
E se perde pela rua
Do mar qu’em letras se abre

Cada quimera é um laço
Dois pontos um só traço
No mar-sol serena me quedo
No beijo do seu abraço
Amor tão longo tão breve

Publicado por amitaf324 em 05:15 PM Comentar (7)
Fevereiro 9, 2006

Tempo de Inverno













Deslizo nas horas sem tempo
Nas letras tristes recebo
Em forma d’aviso
As vagas do grito
Nessa dança penetrante
Da ave que busca o sorriso
Que se espaça
Distante

Tu sabes é tempo d’Inverno
Cobrem-se de véus os brilhos
Do branco que acontece.
No espaço não previsto
Cada floco é um reflexo
D’amor doce etéreo
Em sintonia constante

Por muito que os flocos
O vento transporte
Manténs a elegância o porte
De um silêncio sentido
Mergulhas num mar ausente
As vibrações que te chegam
Doces, d’azul plenas
São do sonho meu abrigo
Nas hora d’Inverno dolente
Que em voos sigo
Serena
Timidamente

(pintura de Marc van der Leeden)
Publicado por amitaf324 em 03:47 PM Comentar (6)
Fevereiro 4, 2006

Sal de Fogo
















Dedilho-te com dedos febris
Onde gotas de sal acontecem
Sorvo-as uma a uma lenta
Len-ta-men-te
E estico
As cordas do tempo
Nas teclas dormentes
Aromas…
Sabores mil

Desmembro os cristais
As pérolas, os traços
Não hesito
Ávida percorro os sons
Na sinfonia de fogo
Que aquece
Endoidece.
Em mergulhos loucos
Me quedo…
Dedilho
O agri-doce dos sonhos
Que permanecem nos dedos
Suaves…
Febris...


(pintura de Nide)
Posted by amitaf324 at 11:15 PM Comentários: (7)
Janeiro 28, 2006

Flor de Laços















Pelo canto
Pelo abrigo
O beijo
O abraço
Me feneço contigo
No infinito
Sereno
Dos laços
Que lentamente
Em iluminuras
Sorrisos
Traço

(imagem enviada por mail)
Posted by amitaf324 at 02:46 PM Comentários: (1)
Janeiro 27, 2006

Doce Memória














Seis da manhã…
Inda a lua embalava
A amena Alvorada
Onde o sol s’estendia
Adormecido
Em sussurros de paz

Despertou em águas mornas
Que em seu leito corriam
O sono abanou a hora
Da suave melancolia
Num leve espanto
Que o seu ar sereno
Constante
Não entendia.

Inocência de tempos
Distantes
Diferentes
Dor em luz de amor
Nascida por bem
Nas mãos pequeninas
Desfolhando sorrisos

Memórias são encantos
Doces ternos brilhantes
Em Parabéns vividos

(Ao meu filho pelo dia de ontem)
Posted by amitaf324 at 01:27 PM Comentários: (11)
Janeiro 22, 2006

Até breve .. Até sempre ...




Caminho pela areia
Do deserto
Meus passos, de tão leves
Rastos não deixam…
Nem traços...
O doce canto
O vento os apaga
Obscurece

Longe… muito ao longe
Avisto um oásis
A água mater
Que ilumina e encandeia
O sol dos dias
Nas horas mortas
Do caminho sereno
Lento
Levíssimo
Que riscos não deixa
Apenas sorrisos
E rosas…


(fotografia de GettyImages)
Posted by amitaf324 at 09:21 PM Comentários: (7)
Janeiro 7, 2006

Serena canto ...






Quisera cantar o poema doce
Dançar nas ondas do mar
E no brilho suave d’estrelas
Quisera em pontas ficar

Quisera pintar amores
Dos perfeitos, mais bonitos
E das cores, as mais belas
Enfeitar o meu vestido

Dissipar a branca neblina
Que esta cidade envolve
E dançar, dançar o dia
Na ternura que me move

Quisera correr os campos
Onde s’espelham as flores
Mitigar todas as dores
Em laços soltar meu canto

Se o fuso do vento passa
Em sibilantes latidos
Hoje espalho a Graça
Com fios eu bordo brilhos
E queira eu ou não queira
Serena teço sorrisos
Na voz dos voos imperfeitos
Que entoo com carinho

(imagem: GettyImages)
Posted by amitaf324 at 02:23 PM Comentários: (18)
Dezembro 26, 2005

Boas Festas




Cristais
Pérolas de fogo
Reluzentes
Seda das flores
Carinhosas e ardentes
Em laços transformados
Iluminuras
Vitrais
A ternura dos sorrisos
Abraço constante
Nunca esquecido
Uma teia de pinturas
Transparências
Melodias doces
Luar, sol e mar
O saber despontado
Em luz e cor
São vocês todos
Meus amigos
Para quem escrevo
O profundo desejo
D’alegres Festividades
Um Novo Ano de sonhos
Realizados
Em cada amanhecer
Sereno
De Paz

(imagem: GettyImages)
Posted by amitaf324 at 02:23 PM Comentários: (14)
Dezembro 19, 2005

Sombras


Ausente de mim vagueio
Pelas palavras de nada
Que me entram em rajadas
Incongruentes
Alteradas
Em cada despertar luzente

Ruídos de posse perdidos
Na lonjura do tempo
Se não existência sentida
Absurdas são dementes
Teimosamente presentes
D’um orgulho ofendido
Cego de tudo que teve
E esvaíu em fumo
De vento

Todos os dias há máscaras
Torcidas
Diferentes
Delineadas ou espontâneas
De quem passa a vida leve
Na brisa fútil correndo…
E a voz do sorriso esmorece
Na pressão que obscurece
Cada aurora brilhante
Clara
Serenamente vivendo


Posted by amitaf324 at 03:24 PM Comentários: (6)
Dezembro 12, 2005

Laços na Distância




Por vezes sou o embalo da dança
Caminhante nas pontas das horas
Que voa em seus passos serenos

Por vezes o fogo que se ateia
Em simples letras apenas

Por vezes sou a doce calmaria
Que o amor em ternura espelha

A ausência das águas da lua
Que no meu leito se banha

Mas há uma luz que incendeia
Um sorriso que se espalha
Um voar doce constante
Que a Natureza enfeita
Laços de Fraternidade
Puros
Singelos

Na distância

(imagem: GettyImages)
Posted by amitaf324 at 11:46 PM Comentários: (9)
Dezembro 2, 2005

Brincando ...

Tão diferentes tão iguais
O traço percorro contigo
Se feneces nos meus ais
No teu enlace eu revivo

Se passeio na pradaria
No mar banhas teus pés
Quando só azul eu via
De cinza cobrias véus

Se te banha tempestade
O sol em mim tu o lês
Quando falo da verdade
Foges dela a sete pés

Se de peles te enfeitas
Eu visto tua epiderme
Se com elas te deleitas
De mim sentes o germe

Se faço um traço tu riscas
Se t’ escrevo não respondes
Mas se me mandas missivas
Em silêncio me escondes

Tu amas a poesia
Eu no poema vagueio
Na minha cama vazia
Te deitas e não te vejo

A luz que mantenho acesa
Quer de noite quer de dia
Sustem um querer sereno
De quem sabe e se sentia
A estrada o trilho imenso
Que se expande sorrindo
No baile das folhas verdes
As flores de nós no carinho
Sendo iguais são diferentes


Posted by amitaf324 at 02:46 PM Comentários: (14)
Novembro 25, 2005

Rosas do Deserto














Banhei formações rochosas
Em água pura e cristalina
Que el Djerid floriu em rosas
Com aroma de maresia
Desligando-as da poeira
Que o tempo lento cobrira

Cintilaram pela aurora
Nas flâmulas que o sol trazia
Jorrando fios de sonhos
Onde meus olhos pousaram
Nos embalos das cores
Da queda livre sentida

Corri no oásis da emoção
Que a estrada de areia seguia
E na branca solidão do deserto
Colori com muito carinho
O silêncio do sorrriso doce, terno
Qu’ el Djerid em ouro m’ oferecia
Nas águas puras, cristalinas


(Aos meus Amigos que tanto prezo e amo sem distinção de sexo, credo ou raça, e a todos os que por aqui passam, conhecidos ou não, e que o seu carinho me deixam, peço desculpas pela ausência, mas nem sempre o Tempo consente que directamente vos abrace. Assim sendo, com toda a ternura vos desejo muita Luz, Paz, Amor e serenidade)
Posted by amitaf324 at 12:22 AM Comentários: (8)
Novembro 21, 2005

Voos



Me sentes em cada hora
Que de ti eu mais preciso
Que dizer se sentido sentes
O meu refúgio meu abrigo

Se nas folhas do vento
Em rodopios te sinto
Que fazer no tempo dolente
Dos véus d’água oferecidos

Assim se sente quem sente
Cores rosas e navios
Que fios tece por entre
Fráguas e nos mares ditos
Espalha seus sentimentos
E só sente se me sente
Consigo no passeio sereno
De luz amor e sorrisos

(imagem de: Walter Tatulinski)
Posted by amitaf324 at 01:10 PM Comentários: (10)
Novembro 15, 2005

A Barca



















Perdi a barca, senhora,
Que vai para a outra margem
E não sei como alcançá-la
Escassa o tempo p’rá viagem

Na infertilidade do dia
A tempestade lá fora
À minha casa batia
Saltando muros e portas;
No vaguear dos passos
Das vozes emudecidas
Arrastando as correntes
Grilhetas da apatia
Que a hora em compassos
Os ponteiros espremia;
Na febrilidade do fogo
Que o sol de cinza cobria
E os mares revoltados
Pariram calamidades
Que o homem de braços
Pendentes, adormecia;
Nas dores e nos tormentos
Do voo rasante das aves
Suas penas foi perdendo
Espalhando pelo vento
Temores de liberdade

Perdi a barca, senhora,
Na aurora do dia claro
Na noite que o farol abriga
Aquele luzir constante
Dessa mesma travessia
Da hora que foi perdida
E não sei como encontrá-la

(imagem retirada da net)
Posted by amitaf324 at 10:10 AM Comentários: (13)
Novembro 10, 2005

Querida, como te adoro....


















O teu porte é elegante
Esguio, olhar distante
Próprio dos sonhadores

O tempo, teu inimigo
Não o é se estás comigo
Perdido em mel d’ amores

Sussuro-te terna ao ouvido
Como te adoro, querido!
Cada vez que me abraças

Sorris e dizes baixinho
Meu terno amor, meu carinho
Encantos teus que não passam

Deslizas em meu corpo e mente
Em alvorecer ditoso, luzente
Momento eterno, sem fim

O fulgor desponta mansinho
Em sábias mãos, pele, no ninho
Enlevo de amante em mim

Palavras, letras, em poema
M’envias sem que a mão trema
Querida, como te adoro!

O tempo em tempo foi passando
Cada minuto, segundo, um encanto
De paixão, ardor, que devoro

De rubro escarlate vestido
Sentes que vais diminuindo
Perdido no meu abraço

Não temos inconfidências
Meu Lápis… só as demências
Que serenamente enlaço.


Posted by amitaf324 at 10:20 PM Comentários: (6)
Novembro 7, 2005

Dourado em Verde



Sussurros
Palavras tuas
São chocolate quente
Doce de leite com mel
Um manjar que não previa
E de laços de plumas
Cobria meu leito verde

Me enrolas a preceito
E me colas no teu peito
Com o chantilly do tempo
Das teclas nuas
Em ti me mesclo, me fundo
Qual fondue de queijo sedento
Que traços de pão sorvia

Deitados no fogo dos prados
Um em um essência vi
Na hora que se deleita
Os corpos foram dourados
Sob o sol que arde e queima
Nos suspiros de kiwi

(imagem Getty)
Posted by amitaf324 at 01:46 PM Comentários: (12)
Novembro 3, 2005

Para quem por aqui passou














Registei “Febrilidade” no tempo
das maleitas inférteis e tristes.

Com diluente limpei os dias
de ausência forçada de mim
onde um negro cansaço
se aliou às horas febris
que no meu leito vivia.

Apaguei um texto apenas
nada de mais…
no sentir insano da doença
que as letras perseguiam.

Regressei leve, serena,
para o canto das flores,
da música, das cores,
da ternura na Amizade
profunda, doce,
espalhando sorrisos
e rosas

(imagem de origem desconhecida)
Posted by amitaf324 at 07:30 PM Comentários: (11)
Outubro 30, 2005

Entre o despertar e o sonho




Amanheci ao som de um abraço viajante
Escutei a voz suave do canto
Embalado em melodia doce
Tão doce… tão meiga…
E me esfumei nas estrelas
Que no leito da noite
Dormiam

Suspensa… com elas dancei.
O manto que me envolvia
Ondulava, sussurrando: “Vem…
Aninha-te no meu colo infindo
E sente a alvura deste amor
Intenso
Profundo”

Até agora perdura o canto
Ondulante da melodia
Entre o despertar e o sonho
Que segui e sigo
Neste amanhecer sereno
Em doces sorrisos
De mais um dia

(imagem GettyImages)
Posted by amitaf324 at 03:09 AM Comentários: (18)
Outubro 19, 2005

Neste Espaço de Sons















Não me acusem os espelhos
De desamor ou traição
Símbolos escritos no peito
De mim…. águas são

Não me acusem os mares
De orgulho ou preconceito
Na demora o brilho atrasa
Os doces sorrisos… luares

Não me gritem os peixes
De plágio, esquecimento
Cada letra é cada beijo
Voando leve… o momento

Minhas letras, meus amores
Meu leito de flores, a canção
Neste espaço em sons corrido
Por tantas brumas despido
Habita a ternura das cores
A brisa amena em solfejos
Por isso
Não me acusem
Nem gritem.
Mandem-me doces
Pirilampos
De beijos

(pintura de Menez)
Posted by amitaf324 at 11:50 PM Comentários: (12)
Outubro 13, 2005

Diálogo a Solo



















Como estás? me perguntaste
Pois... Como sempre
Tudo vai bem!
Ante a surpresa da hora
Contar-te seria demora
Que não assiste a ninguém

Subtil em passos indagaste
Se no recosto estava… de ti
Se tanto te sei e te li
Meras falas são momentos
Nós que nos percebemos
Muito depois do além

Me questiono entretanto
Como diferente te cobres
Deduzes o cinza insone
Se versejo te espantas
Te perdes ante os cantos
Que se segues
Não consomes

Claro está, não me conheces!
Ora, conhecer?... Para quê?
Teu rumo de pedras é liso
Se pétalas dançam contigo
Há música que se não vê
E a barca serena desce
Nas ondas que o rio tece

Neste eterno labirinto
O sol passeia sozinho
No fio de cada instante
Em sombras se reflectindo
Nesta lonjura esparsa
Onde a mensagem a data
Se esvai no firmamento

(pintura de Ethan William Mason)
Posted by amitaf324 at 01:44 AM Comentários: (11)
Outubro 11, 2005

Trapézio













Balanços, contra-balanços, focos
Brilhos em voos… sorrisos
Danço, me lanço no canto
De tuas mãos estendidas

Desloco o vento, deslizo…

Me agarras, me enlaças
Me proteges com teu manto
No fio bem alto suspenso
Olhamos mas nada vemos…

Entoam música colorida
Espirais de rosas florindo
E laços… Tantos abraços...
Ondas de beijos na rede
S’ abrindo…

É fogo sereno
Na hora
Em que descemos
Do trapézio da vida

(fotografia de Erik Simanis)
Posted by amitaf324 at 02:42 AM Comentários: (7)
Outubro 8, 2005

Círculos













Iguais a tantos passeiam os dias
Em círculos abertos fechados
Trazem nas mãos candelabros
Solitários
Se quedam no sopé da pirâmide
Escalonada
No topo brilha uma nuvem doirada
Partículas de fogo
Que no azul espalha
Iguais a tantos passeiam os dias
Em círculos
Abertos...
Fechados...

(imagem de Joseph Gerges)
Posted by amitaf324 at 01:51 PM Comentários: (8)
Outubro 4, 2005

domingo, abril 16

Estrada do Sol Poente















Amanhã seguirei a estrada do sol poente
Nos meus cavalos brancos alados
Só música em fogo ouvirei quando parada

Amanhã despertarei em cristal de oiro e prata
Na desfolhada do Outono presente passado
A dança serei nos braços da árvore do vento

Amanhã sentirei o âmago da fonte que a sede mata
No laço dos meus cabelos guardarei o aroma fresco
Que a caixa dos sorrisos em raios o azul espalha

Amanhã, sim, amanhã renascerei tudo ou nada
Porque hoje para a essência do amor
Ainda é cedo…

(pintura de Ilana Dayan Kadik)
Posted by amitaf324 at 12:53 AM Comentários: (17)
Setembro 28, 2005

Nas Palavras



















Encontro o teu forte abraço
Na doçura do teu canto
De asas que laços tecem
Em voares infindos
Cada manhã que desperta
Cada noite que escurece
E o tempo segue sozinho

Tua voz é o meu leito
Que me desnuda em carinho
Teu olhar é meigo, meigo
Tuas mãos a ternura a espera
Em que me banhas quando
Me percorres, me embalas
Os sentidos

Entre a chuva, o nevoeiro
O cacimbo, a trovoada
O mar revolto em cascata
Resta o perfume do beijo
Daquela gaivota que passa
Em tardes enluaradas
Noites dos teus sorrisos
E se deita nua contigo
Nas palavras

(pintura de Tanja Hoffman)
Posted by amitaf324 at 01:21 PM Comentários: (21)
Setembro 20, 2005

O Mar












Ó mar quando te vejo
Passa leda a alvorada
Então vagueio e me enleio
Nos verdes da tua estrada
Nas carícias dos teus beijos
Em rochas d’ areia parda

Danço em saudade ternura
Quando teus braços de espuma
Relembram o sabor dos tempos
De aventuras, descobertas
Vidas lançadas ao Mundo
Pelas naus e caravelas

Prossigo a doce espera
Das novas que traz o vento
Mergulhando no sal claro
As gaivotas que sem medo
Bebem a neblina que amo
Se me quedo e te contemplo
Renasço no teu colo d’ água
Me teces asas
E no espaço
Plano…

(imagem de: Foureyes)
Posted by amitaf324 at 02:26 AM Comentários: (15)
Setembro 16, 2005

Palavras Rasas














Embrenho-me nas palavras rasas
Sentidos que ver não querem
Sombras negras, espaçadas
Que num esvoaçar de águas
Invadem rostos e mentes

Palavras que o saber não sente
Quando em passos afastados
Nos laços da noite dormente
Em trilhos de dor e saudade
Seguem um deslizar somente

São palavras rasas em fios
Tão, mas tão transparentes
Que em ternura sorrio e digo
Que breve fará o tempo
Da descoberta que omito
E silencio
Serenamente

(imagem de:Moonseaj)
Posted by amitaf324 at 01:08 PM Comentários: (10)
Setembro 13, 2005

Maria Rita


















Pelas pedras da calçada
Lá vai a Maria Rita
Vede quão bela ela vai
Na sua saia de chita
Em listas, rodada

Seu andar é apressado
Onde vai? Ninguém sabia
Leva braçadas de flores
Cada uma, um amor
Que cruzou por ela um dia

Seus olhos negros, rasgados
Carregam um brilho profundo
São mistérios encantados
Quem sabe, as dores do Mundo
Que o sorriso desmente
Nos seus lábios de carmim

Quando passa pela gente
Nos dias à mesma hora
Há sussurros intrigantes
Questões que a mente demora
Em fantasias sem fim

Lá vai ela, apressada
Leve, subindo a calçada…

Não é morte. É a Vida
Nos braços da Maria Rita

(imagem retirada da net indicando o autor Ninacona
suponho que é de Mancini)
Posted by amitaf324 at 06:25 PM Comentários: (27)
Setembro 7, 2005

No Dourado Areal















Rasgam-se folhas cansadas
Amarelecidas
Baladas que se escreveu
Apagam-se voos nas asas
Esquecidas
Espaço que a hora correu

Omite-se o Outono esbatido
Neblina que a estrada avivou
Cerram-se ciclos
Distraídos
Em nudez delicada
Da Mente que lá passou

E o mar se enche de peixe
O farol ganha mais brilho
Um anoitecer em luar
Estrelas cantam baixinho
Dança o sol em rodopios
E até o vento em feixes
Sopra folhas de carinho
No dourado areal
Daquele deserto silente
Onde floresce o sorriso

(pintura de Thomia Jones)
Posted by amitaf324 at 10:23 AM Comentários: (15)
Setembro 3, 2005

No Tempo ...












No Tempo que a vida nasce
Em berço de azul projectado
Não existe o quanto baste
Num mar de céus estrelado

No Tempo que a vida corre
Terna, doca, luzidia
Que pensar quando é mais forte
O saber que se sabia

No Tempo que a vida espaça
Estando certo ou não certo
A vida se veste de graça
E te diz “que bem te quero”

Se a vida tem o seu tempo
E o Tempo tem sua hora
Venham rajadas de vento
Inundações, tempestades
Avalanches, calamidades
E raiares de saudades
Que o Amor e seu sustento
Jamais tarda, não demora

(pintura de Georges Seurat)
Posted by amitaf324 at 07:07 PM Comentários: (9)
Agosto 31, 2005

Vem...vs...Vem














Vem… me sussurras ao ouvido
A todo o instante e hora
Percorramos o caminho
Com as cores dos sentidos
Hoje, aqui, agora

Vem… me dizes com segurança
Os medos são a distância
Que nos separam, querida
E eu vou, parto contigo
Me afogo no teu brilho
Que rodeia e me enlaça

Tu sabes… o teu olhar me põe louca
Quando em desejos corre por mim
Nos teus beijos eu feneço
E me sabem sempre a pouco
Na sede que sinto de ti
Desfolhas florestas e mares
Sóis, estrelas, a cor de luares
Com tuas mãos. Estremeço…

Enrolo, contorciono e me colo
E voo nesse enredo
Povoado por ti

(pintura de Dali)
Posted by amitaf324 at 06:10 PM Comentários: (25)
Agosto 25, 2005

Entre flutuantes cidades












Não sou nada nem ninguém
Serei talvez a flor que caminha
No azul livre do espaço
Entre cidades
Em mãos de areia fina

Sendo nada afinal
Serei a luz que o barco ilumina
Quem sabe… o imenso mar
Que com seu canto enleva
A espuma peregrina

Serei a nuvem que no éter se desfaz
Que em laços o sol se aninha
Gota de orvalho, o doce luar
A fresca pradaria, infinda…
Onde em musicalidades se deita
O sonho, o poeta, a poesia

Se ninguém sou sendo nada
Serei a frondosa árvore cansada
Que o beija-flor abriga
A sombra silenciada
Nas cores ténues da brisa
Que serenamente vagueia
Entre as flutuantes cidades
Com as letras da alegria
E que em paz caminha
Nas palavras

(fotografia de Romero)
Posted by amitaf324 at 02:57 PM Comentários: (15)
Agosto 20, 2005

Flor do Deserto












Há uma luz que não se apaga
Um sol que em nuvens se vê
Uma história fragmentada
Aromas que o tempo lê

Um renascer da flor do deserto
Num mar que a areia abre
Brotando sombras bem perto
Da essência que se sabe

Passos de ausência mudança
No silêncio que o vento brando
Fundo gravou na lembrança
Do sorriso aberto e franco
Transformado em antologia
Os tempos que o tempo havia

Mas clamo mui forte e alto
Para meu e vosso encanto
Viva o Sonho... a Fantasia!

(imagem de: Foureyes)
Posted by amitaf324 at 01:01 AM Comentários: (9)
Agosto 18, 2005

Breve Lento Poema













Meu amigo companheiro
Incentivo da jornada
Pretérito mais-que-perfeito
Do presente
Indicativo do tempo
Caminhado

Meu ponto de exclamação
Hipérbole alegoria
Quantos papeis já pintados
Com toda a tinta de dias
Que sempre farão
Amanheceres
Em laços

Meu breve lento poema
Minha rima imperfeita
Por ti percorro serena
Sonhos trilhos e mares
Passados que a hora espelha
E consente
O voo calmo das aves
Em entardeceres
Verdes

(pintura de Kimberly Thurston)
Posted by amitaf324 at 08:14 PM Comentários: (19)
Agosto 13, 2005

Salada de Frutas


















É maracujá, lima, ananaz
A fruta que tu anseias
Percorrendo o deserto
Te banhas
De areia
Fina

Morango, cereja, tangerina
Trajando a cor mais activa
Na rede da tua teia
Que em versos
Incertos
Encandeias

Pêssego, laranja, limão
Histórias antigas que estão
Na gaveta da mente gravadas
Esperando
Conceitos
De frescura anunciada

Ameixa, diospiro, banana
Com pêra se faz a cama
Em noites enluaradas
Meros desejos
Onde o orvalho
Se instala

É uma salada de frutas
Das que gostas e tu usas
Displiscente em água salgada
Tudo pronto e a preceito
Para quebrar o dito feito
Na quietude
Enlaçada

(pintura de Starr)
Posted by amitaf324 at 03:11 AM Comentários: (12)
Agosto 19, 2005

Tocam a dobrado... // Te ....













Olho-te, ó Imaginação que voas
No éter e cega tu ficas
Segues trilhos no deserto
Nagasaki… Hiroshima…
Tudo pó, tudo concreto
E te quedasMuda em mim

Há um Entardecer incerto
Num país que verde fora
Um tempo escuro parado
Só cinza e pó resta agora
Tocam a dobrado os sinos
No país sem rumo sem tino
Que de fumo
Se alimenta

Arde tudo em labaredas
Solta gritos a Natureza
Loucas as mãos e mentes
Que o país verde… verde…
De rubro negro pintou
Em segundos
Apenas

Nagasaki… Hiroshima…
A Imaginação chora
P’la omitida memória
Que ao deserto votou

(imagem enviada por mail sem indicação do autor)
Posted by amitaf324 at 08:53 PM Comentários: (8)
Agosto 6, 2005



"Te ....."

Te desdobro, te removo
Do tempo
Em paragens me comovo

Te simplifico, te apago
Nos mares
Esvoaçar de afagos

Te desenho, te anulo
Em luares
Asas minhas que seguro

Te percorro, te esqueço
Num momento
Folhas viro do avesso

Te questiono, te omito
No silêncio.
Lanço estrelas que sigo

Se te beijo, se te enlaço
Em cantares
São flores rubras, espaço

Se te sorrio e te sereno
Orvalhares
Dançam brilhos amenos

Não te iludo nem procuro
Por extenso
Pontes desertas seguro

No tempo...

Posted by amitaf324 at 11:11 PM Comentários: (9)
Agosto 3, 2005

Colcha de Retalhos


















O silêncio pesei e medi com instrumentos que tinha
Retalhos dispersos cosi com agulha e forte linha
Para que não murmurassem a toda hora e instante
Cânticos que já sabia mas serena omitia
No meu vaguear constante

Uma longa colcha fiz com aromas de carinho
Juntei os brilhos que vi, as músicas num montinho
P’ra compor a melodia que docemente corria
Espalhada pelas cores irisadas e das flores
A orla da colcha bordei… com mimo

Sentada ao lado dela reparei quão bela era
Na balança em contra-peso fui colocando estrelas
Que passavam no caminho, montanhas e sóis sozinhos
Nos areais da mente, mares mesmo ausentes
Em tempestades lunares

Assim, mui lentamente
Fiz da colcha de retalhos o abrigo, o agasalho
Do caminhante silente que na mala traz somente
Os sonhos que não viveu.
E o silêncio adormeceu
Sorridente…

(pintura de Dali)
Posted by amitaf324 at 09:59 PM Comentários: (12)
Julho 31, 2005

No Mundo da Fantasia // Contactos
















Vou seguindo cega e lerda
Desbravando o poema
Que embebe meus sentidos

São dedos de toques famintos
Mãos os caminhos abrindo
E me enrolo... saboreio...

Com teu beijo teço um laço
Terno que coloco no regaço
Música se vai expandindo

Bordo flores na voz tua
E em mil cores voo nua
Nas asas do teu abraço

Invado teu espaço serena
Se de rubores fico lenta
Em sorrisos eu disfarço

Teus olhos miro e não vejo
Sempre os sinto, os desejo
Neste mundo de fantasia

(pintura de Matisse)
Posted by amitaf324 at 11:42 PM Comentários: (9)
Julho 28, 2005



"Contactos"

Contactos são marcas na areia fina
Pinturas de vidas
Ilusórias ou reais

Lápis azul que no papel desliza
E a cor muda
As letras que dele sai

Uma espera no tempo adormecida
Dizendo: “É amanhã!”
Percurso que não se faz

Sol coberto de rubro manto
Quando
Sonolento se deita no mar

Pedra nua no espaço rolando
Mergulhada
Em preto e branco

Dizeres onde o nada acontece
Na convergência da palavra
Distante... breve

Voz sussurrante de desejos
Que se altera sem pejo
Inquirições que não há

Olhares que desviando se cruzam
Regressando...
Num segundo

Abraço na encruzilhada de ruas
Que não chega
Não se dá

Dedos entrelaçados em carícia
Saudades de quem vindo
Parte não fica

Memórias na arca que o dia fecha
E a noite insone abre
E se deita

Uma fruta que na água cai…

Posted by amitaf324 at 10:00 PM Comentários: (13)
Julho 25, 2005

Perto e longe // Ego vs ....













Uma resposta procuras
Por todo o lado
Clausura que não entendes
Nem pretendes
O sorriso doce passado
Continua enlaçado
Em minhas letras
Verdes

Inteligência é tua marca
Estigma em letras pintado
Voar cândido do poeta
Apenas…
E pensas
Que quem de ti perto passa
Vê nada mais do que acenas

De ilusões quem quer vive
No livro que aberto está
Mas não me cantes poemas
Pois te sabendo os temas
São claros como a manhã

Bem perto mui longe estive
Sobre águas deslizando
No entanto
Com o meu saber sereno
Te sorri
E despindo te vesti
De estrelas

(pintura de Kimberly Thurston)
Posted by amitaf324 at 01:06 AM Comentários: (13)
Julho 23, 2005



"Ego vs ...."

Falemos de amor?! Está bem!
Façamos uma radiografia
Da verdade nua e fria
Não só do que nos convém
Analisemos os momentos
O passado o presente
Em pormenor
E vejamos se sabendo-te
Tu me sabes também

Troquemos inconfidências
Sentires pesares ausências
Uma mera lágrima de dor
Que na sua teimosia
Não se vendo insistia
Em cair dentro de nós

Uma medição façamos
Sem regra esquadro compasso
A balança de dois pratos
Aguarda a nossa voz
Para que cantemos
Mais alto o sentimento
E percorramos
Vias trilhos traçados
Pois para além do espelho
Uma amplitude vemos
De prisão em liberdade

Numa toada dolente
De amor e de verdade
Dancemos
Serenamente

Posted by amitaf324 at 01:46 PM Comentários: (10)
Julho 20, 2005

Talvez... um dia


















Vestirei a tua pele quando te encontrar um dia
Em pinceladas de mel neste azul que se sabia
Pleno, intenso, chão

Saber-te-ei então sal do mar que me darias
O calor das tuas mãos e ondulantes carícias
De mantos de areia feitos

Desprezarei preconceitos desertos que temerias
E dos brancos nevoeiros cama de espuma faria
Na nudez da areia fina

Serei a água da mina que da sede a sede beberia
Tua musa esquina de espelhos onde o olhar brilharia
Em conceitos de sol e lua

A doce Aurora o rubro Entardecer seria
Quando te encontrar…
Talvez… um dia…

(fotografia de Hemant Khandelwaal)
Posted by amitaf324 at 02:06 AM Comentários: (16)
Julho 15, 2005

O Piquenique // A Borboleta

















Ontem revesti as minhas letras
De brancos panos de linho
Enfeitei-as de cambraia
E bordei na sua saia
Mil flores com mui carinho

Ontem na quentura do dia
Teci serena uma sombrinha
Daquelas que as damas usam
Recoberta de rendinhas
Condizentes com as luvas
Alvas que vestia

Preparei um cesto de verga
Com suculentas e várias frutas
Pão, uma botija de água fresca
Petiscos e uma manta de estopa
Para estender na relva fofa
Sob a densa ramaria
Do pinhal

Era um piquenique apenas
Amena cavaqueira de letras.
Mas havia…
O rio e a sua travessia
O deslizar das águas sob a ponte
Numa barcaça que afinal
Era frágil e não sabia
O percorrer o monte
Entre silvas e espinhos
Com serpenteantes trilhos
Um caminho desconhecido…
Mas de minhas letras o rosto
Esboçava um sorriso
Um renascer novo
Lindo…

(pintura de Claude Renoir)
Posted by amitaf324 at 05:01 PM Comentários: (9)
Julho 12, 2005


"A Borboleta"

Não há rede por mais fina
Em tecedura azul que seja
Uma trama doce e linda
Pr’às asas da borboleta
Que em voos leves serenos
Na sua nudez disfarçada
Corre caminhos estradas
Atalhos próprios do vento
Cantando breves sentimentos
Em fluorescência encantada

Canta a música do silêncio
Nas aveludadas asas
Sobre fina seda bordada
São vitrais iluminuras
Construção sólida segura
Que o caçador na procura
Teias de aranha lança
Em árvores linhas escadas
Sorrindo a borboleta passa
Contornando com carinho
Em seu esvoaçar plácido
Um jogo de xadrez em parada
Um labirinto de redes
Fios rubros azuis e verdes
Raios solares em cantata

Posted by amitaf324 at 09:48 PM Comentários: (9)
Julho 10, 2005

Caminhos da Lua













Sigo os caminhos da lua sabendo
Que não sou tua nem de ninguém
Sou uma ave errante que passa
Sempre distante presença d’alguém
Nos trilhos do mar me banho
Por quem sereias e fados amem
Me cubro de mantos luzentes
Sobre estórias mui recentes
Ou de amores de antanho
De terra fui constuída
Terra de pedra batida
Por mãos fortes calejadas
Sistemas de vidas em vida
Se distante ou distraída
Não tanto que ventos desfaçam
A luz a ternura é meu alimento
O abraço amigo meu sustento
Que consolido com laços
Em pontes flores abrigos
Mesmo no próprio sorriso
Que adoro não desfaço
Por isso sigo cantando
Toadas d’amor ou d’encanto
Que trago sempre comigo
Uns gostam outros não
Mas a serena solidão
Vem… e todos enlaça.

(pintura de Tete Dura)
Posted by amitaf324 at 06:39 PM Comentários: (12)
Julho 7, 2005

A Porta // Laço Azul

"A Porta"


Ninguém à porta bateu

A porta não existia
Uma moldura era
A projecção duma esfera
Que em verde se abria
E que ninguém percorria

São portas que pássaros pintam
Frutos doces sem rosto
Árvores que braços sorriam
Na surpresa da espera
De ninguém à porta aberta
Que sendo não o era
E se sabia

Sofisma de terno encanto
Sem desgosto nem espanto
Serena diplomacia
De ninguém que se soía

Posted by amitaf324 at 02:39 AM Comentários: (10)
Julho 4, 2005



"Laço azul"

Vesti-te das mais belas cores
Reuni teus estilhaços
E contruí
Um sonho

Pintei-te de irisadas flores
Colei todos os bocados
E o que vi
O passado

Desenhei-te em brandas letras
Que espalhei no espaço
Não eram letras
Eram apenas
Subtis traços
Em poema

Percorri montes e vales
Em meia hora apenas
Voando sempre serena
Encontrei o sorriso que trago
Sempre comigo
Num laço
De luz
Azul

Posted by amitaf324 at 04:09 AM Comentários: (7)
Julho 3, 2005

A tu pedido













Se te quero, te desejo?
Plena em ti me revejo
Meu amor, meu doce enlevo
Meu divagar no vento
Parte de mim, meu sossego
Meu pairar cantante nos ares
Meu afago
Minha pele
De cantantes despertares
Minha lonjura
Tormento
Lágrima oculta
Despedida
Na noite tornada escura
Meu anseio de Ventura
Minha canção dolente
Minha luz, minha aurora
Despertando sorridente
Terna forma espiralante
Quadricular, secante
Geometrias perdidas
Simbologias d’outrora
Morango rubro, meu mel
De leve trago a fel
Na hora das despedidas
Meu céu azul, meu luar
Meu voo leve, sereno
Num Outono mui ameno
Chuva d’estrelas, meu mar
Oásis o deserto salvando
Sede que matas a sede
Que em mim tu te perdeste
Eu em ti unificando
Minha fidelidade louca
Em silenciosos falares
Sussuros e murmurares
Cega, surda e mouca
A convites, distracções
Enlevos e seduções
Vivendo p’ra ti somente
Meditando sorridente

(imagem de: Jenny Dill)
Posted by amitaf324 at 11:02 PM Comentários: (16)
Junho 28, 2005

Numa bola cromática // Por dispersas madrugadas


















Pelas escadas do espaço subi
Em leveza projectada
Sentei-me numa bola cromática
Que nunca antes vi
Mui serena mui parada

Sorriso estampado no rosto
Fui dançando borboletas
No éter
P’ra ver se eram
Perfume doce ou mosto
D’ essências absoletas

Tracei caminhos de sonhos
Incentivei a melodia
Colori espaços medonhos
Onde a borboleta floria
Com ternos sorrisos reguei
Raízes que cada expandia
Seu rasto de luz apática
De luar abrilhantei
E me quedei
Sentada
Na silente bola cromática
Que o meu todo
Afagava
Dia-a-dia

(pintura de Ocullen)
Posted by amitaf324 at 01:24 AM Comentários: (16)
Junho 24, 2005


"Por Dispersas Madrugadas"

Teus olhos em tempos perdidos
Por dispersas madrugadas
Eram cantantes ventos, cativos
Murmúrios d’espelhos d’água

Vestiram a carícia das sedas
Veludo do mel em mantos suaves
Se enluararam de estrelas
Correram entardeceres
Intensos, fogosos, vivazes

Teus olhos, amor, penetrantes
De doce enlevo sem fim
Se sofredores, se distantes
São sombras esvaídas, traços
Desenho sem tempo gravados
Sinfonia ausente de mim

Posted by amitaf324 at 01:09 AM Comentários: (3)
Junho 23, 2005

Um saber em nada//Dois Pontos//Incandescências

"Um saber em nada..."

O saber que nada se sabe quando a realidade o constata
É um aroma que se esvai um basta à mente cantante
Que desde a aurora voa divaga em versos soltos constantes

É um fio que se quebra e em pontas se abre
Um silêncio que se instala em asas mudas pesadas
Um barco que da doca não sai temendo
A nudez das palavras em incauta tempestade

É um saber que em nada… se sabe….

Posted by amitaf324 at 02:33 PM Comentários: (13)
Junho 19, 2005



"Dois Pontos"

Dois pontos separam cidades
Que no éter se trojectam
São pontos equidistantes
Lonjuras constantes
Se em estrelas dispersam.
Uma a uma se alinham
Sobre os pontos das cidades
Formam brilhos em traços
Ângulos rectos de luz
São braços unindo espaços
Em sonoridade azul
Um trajecto iluminam
A face da noite abraçam
E saltam negros obstáculos
Que as cidades enlaçam

Posted by amitaf324 at 12:14 AM Comentários: (6)
Junho 16, 2005



"Incandescências"

Há incandescências no ar que a voz
Abriga. São palavras feitas dolência
Na ternura banhada de essências
Floridas
Desenhos de éter do quinto elemento
Na quadratura do círculo em tempo
Camuflado
São odores perfumes de flores em cadência
Eternidades sentidas
Asas de um barco que rema sozinho
Nas tempestades coloridas
Espelhos d’almas em carinho
Enlaçado
Vozes sussurrantes que o ouvido
Desflora
Constante
Em brasas…

Posted by amitaf324 at 12:28 AM Comentários: (7)
Junho 14, 2005

Neste entardecer ...















Da sereia não canto o canto
Talvez o cante jamais
Há um entardecer deslizante
Uma sombra de mim constante
Que em fios recolho enquanto
Em ténues letras se esvai

Me orvalham olhos e mãos
Num padecer dos sentidos
Que não procuro entender
Nada existe para ver
Nesta densa escuridão
De um entardecer sombrio

Serro pontes, apago laços
Reúno sobras d’estilhaços
Silêncios mil multiplicados
Vozes que a noite espera
Em dizeres disfarçados
Porque a noite é do poeta

Guardo beijos, sensibilidades
Gostares e até saudades
De separações eminentes
Mas parto serenamente
Para a concha o abrigo
Onde guardo o sorriso
Doce, terno, sussurrante
Que ofereço neste instante
A todos vós meus amigos

(pintura de Ian Chang)
(Nota: Este poema destina-se à próxima noite de Poesiaem S. Mamede de Infesta, cujo tema é "Entardecer".A todos os Amigos apresento as minhas desculpas seincautamente os iludi.)
Posted by amitaf324 at 07:27 PM Comentários: (11)
Junho 11, 2005

Floresta













Olho a floresta à minha frente
Que se espraia no infinito
Me orgulho e sorrio encantada
Pelos verdes que ela enlaça
São ninhos brilhos o abrigo
De entes contentes

Há árvores paralelas s’abrindo
Em fluorescências solares
São peles nuas despidas
Vestidas de sentimentos
Entre o afago dos ventos
E bailados lunares

Murmúrios incandescentes
Se sentem pressentem
Solfejos trinados cantares
No silêncio da floresta
E seus amenos voares
Desde a era primeva

Trilhos fadas duendes
Em dedilhares
De braços verdes

(pintura de Jorarsaa)
Posted by amitaf324 at 02:14 AM Comentários: (6)
Junho 9, 2005

Doce Amenidade















Me levanto, me resguardo,
E não danço, afinal.
Do meu sorriso te vestes
Num enlaço que aqueces
Em distracção musical

Se me visto, tu te despes
Incauto tu me tropeças
T’envolves em meus mantos
Numa surpresa d’encantos
Que desejas, não esqueces

Voando, voo contigo
Se cais t’ofereço abrigo
Das palavras serenas
Doce ternura, querido.
Mas não penses
Qu’as conchas são eternas.
O mar com seu sorriso
As transforma em areias
Amenas…

(pintura de Shannon Hamilton)
Posted by amitaf324 at 04:50 PM Comentários: (11)
Junho 6, 2005

Neste voar primeiro


















Na ilusão apetecida
Fazer um soneto nem tento
Voo no oásis da vida
Sorvo areias do deserto
Sem lamento
Envolta na palavra branda
Luzente

Que canta.

E neste voar primeiro
Em penas d’oiro pintado
Sinto o vento por inteiro
Que passando está calado
Mas não importa
Se a porta
Que a voz sustém no momento
Mantém o sorriso
Amigo

Que

Serenamente

Leio

(pintura de Renoir)
Posted by amitaf324 at 07:23 PM Comentários: (12)
Junho 4, 2005

Cornucópia
















Sonhos são doces em quadras festivas
Marotices apetecidas
Crianças lambuzando as mãos

Um sorrir espontâneo aberto
Vindo ou não no tempo certo
Olhos do coração

Um querer não-querer inconsciente
Refúgio escape um levar da mente
Caminhos a preto e branco

Histórias curtas longas partidas
Num parecer intemente vividas
Ofegantes, calmas, encanto

Um arco-íris, o mar, a luz do poeta
Num viver morrer em parte incerta
Instante longo ou breve

Amargura, ternura, caramelo,
Música, voz, um botão singelo
Para o sonho tudo serve

Quem controla os sonhos? Quem?
Se se fazem, desfazem, partem, vêm
Como lhes apraz a vontade?!

Cornucópia em
Tempestade…

(pintura de Sir Mbonu Christopher Emerem)
Posted by amitaf324 at 09:38 AM Comentários: (12)
Junho 1, 2005