terça-feira, agosto 22

Manto claro em rubros dias


Imagem de autor desconhecido

Teci um manto brilhante
De raio de sol, de estrelas
Do ondear da serrania
A sonoridade mais bela
Tudo misturei em verdes
Pinceladas, mui singelas
Onde eras? Não sabia…


Encanto meu, doce enlevo
Luz d’aurora, despertar
Sussurro de entardecer
Noite rubra do meu canto
Em cada letra te bebo
Sem haver um olvidar


Vagueio em mares revoltos
Ou mui ternas calmarias
Sentindo nos alucinantes
Mantos claros, rubros dias
Anseios loucos, tão soltos
Na tua busca incessante


Perdição minha, ternura
Feitiço, quimera de amor
Em súplica elevo a prece
No mar da lua enfraquece
Esta chama, fogo em pugna.
Do coração se me esquece
E me estremece o fervor

sábado, agosto 12

Reflexos


Tu tão longe e eu tão perto
Já ali, ao virar daquela esquina
Num degrau da escadaria estreita e fina
Nos passos sem rasto do deserto…
Mordaças nas ondas brancas do dia


Onde as cores no rosto se aninham
Como flores cantando alegria
No meu olhar circunspecto
Pela vida. E caminho… caminhas…
Tu tão longe e eu tão perto.


Balanço de letras escassas
Pairando nos fios das águas
Do meu céu verde em dança leve
Que avisto e que sinto
Na face colorindo reflexos
De ti, de mim, me espaço breve

sexta-feira, agosto 11

Trovas e contra-trovas em parceria III


Passatempo, passarinho
Passa tudo devagar,
Passando o tempo, sozinho,
Tempo custando a passar…

Marcos


Passarinho, passa o tempo,
Custando, tão só, a passar…
Te trago um alegre vento
Num passatempo entr’o mar.

E esta voz que s’encanta,
Sussurros do teu vozear,
Brincando como criança,
Sorri e dança… a cantar.


Amita
(imagem de Guy D'Alessandro)

terça-feira, agosto 8

Trovas e contra-trovas em parceria II

Segredos, me traz o vento
rodopiando ao passar
e me leva o pensamento
pelas correntes do mar

Belos e doces momentos
do vento dançando no ar...

Aqui o fado é saudade
Aí se samba alegria
Na distância a amizade
de cor me enche o dia.

Assim meu canto suave
sempre enlaça fantasia...

Amita



O vento que, em tempestade,
Transforma tal calmaria,
Trazendo felicidade,
Onde mais nada existia...

Vento que queima e que arde,
Transborda na poesia...

A saudade é lusitana
E brasileira também,
O vento nunca se engana,
Vento que vai e que vem

Vento me traz, doce nave,
As notícias de alguém...

Marcos

sexta-feira, agosto 4

Como dois rios...


Imagem de Susan Rios

Como dois rios*, atravessam o espaço
Na difusão da Beleza em palavras
Nada pretendem, nem querem
A solidariedade espalham
Em plena Dádiva

São rios de águas límpidas e claras

Por eles me curvo
Em silêncio os saúdo
E enlaço
Sobre meu leito sereno
De rosas luzentes e pálidas
Onde amanheço
Num mar de prata

(*)Estúdio Raposa e Poesia Portuguesa