quarta-feira, abril 30

Pela calçada do tempo
























Caminhava o arrasto da sombra
sob a linha ténue da vida.

Curta a senda, longos os passos…
pela Rua das Flores que lentamente subia.
Da calçada, apenas o empedrado lhe sussurrava
uma canção antiga que trauteava baixinho
embalando a caixa de chocolate
nos seus braços trémulos e finos.

Extenuado, febril pelo sol do meio-dia
aninhou-se no degrau da soleira de uma casa
desfiando memórias encanecidas:
A licença obtida para ver a família;
A turbulenta viagem a bordo do Santa Maria;
Aqueles braços pequeninos que para ele corriam…

Adormeceu a existência do tempo
num envolvente sorriso.



(minha prestação para o 2º Jogo daqui )

Pintura de Frederick Judd Waugh