segunda-feira, abril 17

A Barca



















Perdi a barca, senhora,
Que vai para a outra margem
E não sei como alcançá-la
Escassa o tempo p’rá viagem

Na infertilidade do dia
A tempestade lá fora
À minha casa batia
Saltando muros e portas;
No vaguear dos passos
Das vozes emudecidas
Arrastando as correntes
Grilhetas da apatia
Que a hora em compassos
Os ponteiros espremia;
Na febrilidade do fogo
Que o sol de cinza cobria
E os mares revoltados
Pariram calamidades
Que o homem de braços
Pendentes, adormecia;
Nas dores e nos tormentos
Do voo rasante das aves
Suas penas foi perdendo
Espalhando pelo vento
Temores de liberdade

Perdi a barca, senhora,
Na aurora do dia claro
Na noite que o farol abriga
Aquele luzir constante
Dessa mesma travessia
Da hora que foi perdida
E não sei como encontrá-la

(imagem retirada da net)
Posted by amitaf324 at 10:10 AM Comentários: (13)
Novembro 10, 2005

1 comentário:

  1. Comments em arquivo:
    Comentários: A Barca
    Rosa Pálida em meu seio Vem querida, sem receio Esconder a aflita cor. Ai! a minha pobre rosa! Cuida que é menos formosa Porque desbotou de amor.Pois sim...quando livre, ao vento, Solta de alma e pensamento, Forte de tua isenção, Tinhas na folha incendida O sangue, o calor e a vida Que ora tens no coração, Mas não era, não, mais bela, Coitada, coitada dela, A minha rosa gentil! Curvam-na então desejos, Desmaiam-na agora os beijos... Vales mais mil vezes, mil. Inveja das outras flores! Inveja de quê, amores? Tu, que vieste dos céus, Comparar tua beleza Às folhas da natureza! Rosa, não tentes a Deus. É vergonha...de quê, vida? Vergonha de ser querida, Vergonha de ser feliz! Porquê? Porquê em teu semblante A pálida cor da amante A minha ventura diz? Pois, quando eras tão vermelha Não vinha zângão e abelha Em torno de ti zumbir? Não ouvias entre as flores Histórias de mil amores Que não tinhas, repetir? Que hão-de eles dizer agora? Que pendente e de quem chora É o teu lânguido olhar? Que a tez fina e delicada Foi de ser muito beijada, Que te veio a desbotar? Deixa-os: pálida ou corada, Ou isenta ou namorada, Que brilhe no prado flor, Que fulja no céu estrela, Ainda é ditosa e bela Se lhe dão só um amor. Ai! deixa-os e no meu seio Vem, querida, sem receio, Vem a frente reclinar. Que pálida estás, que linda! Oh! quanto mais te amo ainda Dês que te fiz desbotar. Almeida Garrett (1799 - 1854) Enviado por Carlos em novembro 20, 2005 01:55 PM
    Bom dia... vim dar-te um beijo. Parabéns pelo poema...está lindo! ;) Enviado por Poesia Portuguesa em novembro 17, 2005 11:26 AM
    Oi amiga, vim so num saltinho deixar um beijinho Enviado por meialua em novembro 15, 2005 09:39 AM
    Olá Amita: bela imagem, bonito texto!Veja isto:'E os mares revoltados/pariram calamidades'. Olha: tem um conto nordestino lá n'o apanhador, um conto social, de um povo sempre sofrido. Veja-o! Um beijo sertanejo... Enviado por Bené Chaves em novembro 15, 2005 12:17 AM
    Amita, se perdeste a barca... ainda bem! É preciso utilizar os transportes alternativos... a pé, a "butes" a "calcanços"... mas o que importa é que o poema é bonito. Esta semana é Noite de Poesia em S. Mamede Infesta, sabias? Um abraço. Enviado por josé gomes em novembro 14, 2005 01:58 PM
    Belo poema. Não perdeste barca nenhuma:) beijos Enviado por wind em novembro 14, 2005 10:20 AM
    Momentos de vida, de passagens por nós, onde perdemos ou achamos o caminho... Lindo o teu poema, reflectindo vivências e experiências...Um abraço terno e uma boa noite de domingo... ;) Enviado por Menina_marota em novembro 13, 2005 08:02 PM
    Não percas tu a barca das palavras com que nos embalas e fazes viajar! Tenho andado muito afastada de vários amigos, desculpa mas é mesmo questão de tempo. Beijinhos e bom fim de semana Enviado por lique em novembro 12, 2005 12:36 PM
    Lindo poema, p vezes tb me sinto assim, como q se perdesse a barca q vai em caminho da felicidade..é dificil..mas temos de ir sempre atras dela pk um dia seremos nós a conquista-la.beijo grande e bom fim de semana. Enviado por andrye em novembro 12, 2005 10:48 AM
    Este poema é maravilhoso, os meus sinceros parabéns. Enviado por Tacitus em novembro 11, 2005 05:34 PM
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    "Perdeste a barca se calhar, mas não perdeste com certeza teu jeitinho de pintar com as palavras". Não tenho podido vir espreitar teu sítio Amita, mas sempre que venho, vejo desfilar cenas, imagens do teu olhar profundo e sentido. És maravilhosa!!! Beijinho grande Enviado por In loko em novembro 11, 2005 06:17 AM
    Bom dia, Amita! Lindo seu poema, profundo e triste como vários momentos que vivemos, infelizmente fazem parte das nossas vidas, mas são passageiros.. Engraçado o email q me enviou, obrigada! bjus e uma sexta linda Enviado por Jor em novembro 11, 2005 03:24 AM

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