
Dor, esperança, alegria.
Um sentir que se amofina ante um olhar calado.
Um mar que nos beija, encanta
e com seus passos de dança
desfaz rastos de outras vidas -
esboços na areia branca.
Um acto de amor em crescendo
no germinar de sementes entre sorrisos e dor.
Deserto onde uma flor desponta num arco-íris de cor.
Uma voz arrastada e rouca derramando a sua sina.
Fragmentos de vento na tristeza escondida
de seres que nada contam.
Uma omissão que se pinta em solfejos musicais
se sofrida, se faminta…
Um coração comprimido de um amor que não alcança
naquela mão estendida por ternura, da criança.
Uma montanha, uma rocha, uma árvore florida.
Simplicidade, fantasia, em fios de prata tecidas.
Uma nascente, uma fonte, uma pinga espreguiçada
que a sede ao velho mata
cansado e corcovado de tanto cavar a vida.
Banco ou vão de escada em cada canto, esquina
quando o tempo adormece pelas moitas e estradas
o arrasto do peso de dias das teias sem luz tecidas
nos passos amorfos, dolentes
dos malabaristas da vida.
De cegueira não entendo e sigo
serenamente
lançando amor e sorrisos
pela Vida
pintura de Jane Yechieli
(republico este poema em agradecimento às
amáveis palavras da pintora)
(poema in "Transparência de Ser")