quinta-feira, dezembro 28

E do amor ...


Se soubesses, meu amor, o quanto
A saudade tece seus dias
Saberias, sim, saberias do seu pranto
E com leves véus cobririas
As letras breves … de encanto


Se soubesses do amor as suaves telas
Que pinto, desenho em branco
Abririas, sim, abririas folhas belas
Sobre a noite que, entretanto,
Te olvida, cinzela… calando


Mais do que tu soubesse eu do amor
Na placidez amena de um canto
Usaria em teias macias cada cor,
Contente,
E na pele do tempo banhada em flor
O areal da vida sorriria enquanto
Dormente
Meu colo embalas… de espanto


(imagem de Tolga)
Com carinho a todos desejo um Feliz 2007
Poema in "Transparência de Ser"

quinta-feira, dezembro 14

Apesar de tudo...


Apesar de tudo
Pelo silêncio se espalha um canto
Um voo desnudo
O azul abraço do espanto
No pêndulo em horas tecido.


Um breve instante, um minuto
No leito aveludado, branco
Do rio cantado quando lido
No ondular ameno da jangada.


Apesar de tudo
Os laços que em pontas dançam
Equilibram do chão as tábuas
No rosto corado das crianças
Em amor e claridade
Na voz alegre das palmas.


E pela brisa bafejadas
Reluzem serenas asas nuas
Sobre a foz que o rio alcança
Como o amor suspende a cidade
Adormecida em oiro
E em prata despertada.

(fotografia de Maurício Martins)

quarta-feira, novembro 29

Urgentemente


É urgente o amor
É urgente destruir certas palavras –
Ódio, solidão e crueldade…



É urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.



Cai o silêncio nos ombros
E a luz impura até doer
É urgente o amor,
E urgente permanecer.



Poema de E. Andrade -
gentilmente enviado pelo amigo Vítor C.
(Foto de Verónica Carter)

sexta-feira, novembro 17

em rosa rubra

Nos teus braços de palavras
Me enrolam carícias mudas
Qual rosa rubra despontada
Que seu doce aroma espalha
E pelo espaço perdura


Soltam-se pelas cidades, inter muros
Os pontos que no Tudo abarcam
Estilhaços esvaídos em leve fumo
Quando em ti me lês nos traços
Desprendidos, planos, profundos


Sob as longas raízes criadas
Me enfeitas e desnudas
A serenidade dos passos
O beijo que o vento permuta
Esse encontro inesperado
Num qualquer presente-passado
Feito de essência e candura


Assim me enlaçam palavras
Fragrâncias de rosa rubra



Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

Poema in "Transparência de Ser"

segunda-feira, novembro 6

Sem Tempo ...


E conversas comigo…
E me embrenho nas palavras significativas
De símbolos pairando nas entrelinhas
Que desvio… desvias…
Como se o tempo delas não fizesse sentido

E falamos com leveza
Da futilidade dos dias
Da doença das viagens em cadência
Do tudo e do nada que temos
Na omissão constante de brilhos plenos

E sorrio… sorris…
Num prolongado breve momento
De um tempo ido… sem fim
E cruzam-se a esperança e a nostalgia
Entre nossos anos leves de vento
Encanecidos nos cabelos

Que fio… que fias…
Pelas palavras serenas
Merecidas e eternas
Numa entrega simbólica e plena
Sem tempo…


Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

Poema in "Transparência de Ser"

sexta-feira, outubro 27

Flores


Espalham-se pelos caminhos
Os lírios, as açucenas
Os tapetes de rosas que trilhas
São cânticos de árvores antigas
Na sua rama serena

E dás-me as boas-vindas
E te desfazes em traços
Prolongando o abraço
Que o tempo distancia
E a hora treme de estrelas

E me dizes: corre, avança
Nesse cantar de criança
Desfolhado em brancas penas
Quando o silêncio se abre
Na acalmia que sabes
E em segundos voas, apenas

Descem pelas folhas, sobre mares
As orvalhadas pétalas das flores
Qual árvore por terra jorrada
Livre, já despojada
Dos sons utópicos da noite
Sorvendo do passado os lamentos
De quem seguiu outra estrada.

E os brados dispersos do vento
Em sol se abrem no aconchego
Do pó de areia no deserto
Como renascem no Outono
As flores delicadas e singelas
Em sorrisos ternos, amenos.
Poema in "Transparência de Ser"

terça-feira, outubro 17

A Palavra e o Poema


Como eu gosto do sorriso matreiro
Bailando entre cada espaço branco de linhas
Quando desenhas ou pintas
A palavra túrgida
Na polpa sumarenta da escrita

Como eu gosto na palavra o desenho
Esbatido, sombreado em cada traço
Na concisão daquele toque inteiro
Como bagos de uva pendentes
Em rubro cacho

Como eu gosto no dedilhar leve os conceitos
Em comunicantes solfejos de música
E do perfume o sabor a forma lúdica
Pairando no corpo do céu
Onde no ilimite a paisagem copula

E a palavra avança voluntariosa e surda
Pelos espaços brancos gemidos de linhas
Sempre que a cobres desenhas ou pintas
No prazer do mistério feito véu
Desligada do ocaso que acende ou mina
O avesso do mundo onde o poema flutua


(pintura de Graça Martins)
Poema in "Transparência de Ser"

terça-feira, outubro 10

O Regresso


E sempre me surpreendes
E me indago: porquê?
Se já nem o próprio tempo
Se reveste das folhas doces
E sombra sépia de nós é

E sempre me pergunto pelo farol suspenso
Pelo voar pleno, imenso
Entre as cores deslizantes de um só traço
Que na minha caixa guardo
E onde plano… inconsciente

Ao mesmo ponto de partida regresso
Leda, nua, incauta e breve
Da fuga que a razão proclama
Pela casa, o esquecimento
Pelas janelas que a brisa traça, abertas
Pelas portas irisadas, amarelas
Pelo alpendre das ondas translúcidas
Gotejantes em forma de letras
Na escada onde me abrigo e suspendo
O ar rarefeito do tempo

E releio do sorriso a envolvência
Dos pontos leves que sigo
Do silêncio a transparência
Quando em branco me sento
Leve me surpreendo
E me indago: porquê?!!!
Poema in "Transparência de Ser"

domingo, setembro 24

O Fado




Sempre te cubro, destapo
Me envolvo em teus fiapos
Quando pairo em tua voz.
Mas se faz calor ou frio
Em ti me aninho, sorrio,
M’embebo na pele de nós.

Te sento no banco a meu lado
Nas cordas silentes te agarro
Nesse dedilhar de fado dolente
Que percorre lesto, inconsciente
Num terno, breve momento
Em que solto te vejo, intenso.

Me acarinhas, dobras, caminhas
Num sopro de dedos apressados
Na viola qu’em traços de fado
Acedes, entonteces, confirmas
Com esses sons rubros, alados
Em gotas vertidos no espaço.

E cada vez que acaba o fado
Permaneço assim nesse estado
Suspenso, absurdo, irónico,
Anguloso, irreal, lacónico
E me pergunto, indago sem voz
Se a canção partida é voo de nós.
(Quase de partida para férias, agradeço a todos o carinho
que me têm dispensado. Quando regressar visitar-vos-ei
com satisfação.Até lá, fiquem com Luz e Paz nos vossos
caminhos).
Poema in "Transparência de Ser"

quarta-feira, setembro 6

Nunca…


Imagem de Jean del Ville


Criam-se hábitos e ritos
Sublinhados pelos anos
E no sufoco do grito
Mergulhos há que nos dançam
Em profundas mansas águas

No silêncio se medita
Içam-se frágeis cabanas
Dizeres de Nunca ditos
Pelas sombras se espalham
Como garras afiadas…

E pelos sulcos dos anos
Deslizam orvalhos pesados
Que ao longe saudades ditam
Em apelos e mensagens
No colo que tudo abriga
Que resolve e simplifica
Em suaves e ternas palavras
E que cobrindo se destapam
Das sombras surdas
Na inconstância dos passos.

Quantas vezes não existo...
Mas sou humana!
Poema in "Transparência de Ser"

terça-feira, agosto 22

Manto claro em rubros dias


Imagem de autor desconhecido

Teci um manto brilhante
De raio de sol, de estrelas
Do ondear da serrania
A sonoridade mais bela
Tudo misturei em verdes
Pinceladas, mui singelas
Onde eras? Não sabia…


Encanto meu, doce enlevo
Luz d’aurora, despertar
Sussurro de entardecer
Noite rubra do meu canto
Em cada letra te bebo
Sem haver um olvidar


Vagueio em mares revoltos
Ou mui ternas calmarias
Sentindo nos alucinantes
Mantos claros, rubros dias
Anseios loucos, tão soltos
Na tua busca incessante


Perdição minha, ternura
Feitiço, quimera de amor
Em súplica elevo a prece
No mar da lua enfraquece
Esta chama, fogo em pugna.
Do coração se me esquece
E me estremece o fervor

sábado, agosto 12

Reflexos


Tu tão longe e eu tão perto
Já ali, ao virar daquela esquina
Num degrau da escadaria estreita e fina
Nos passos sem rasto do deserto…
Mordaças nas ondas brancas do dia


Onde as cores no rosto se aninham
Como flores cantando alegria
No meu olhar circunspecto
Pela vida. E caminho… caminhas…
Tu tão longe e eu tão perto.


Balanço de letras escassas
Pairando nos fios das águas
Do meu céu verde em dança leve
Que avisto e que sinto
Na face colorindo reflexos
De ti, de mim, me espaço breve

sexta-feira, agosto 11

Trovas e contra-trovas em parceria III


Passatempo, passarinho
Passa tudo devagar,
Passando o tempo, sozinho,
Tempo custando a passar…

Marcos


Passarinho, passa o tempo,
Custando, tão só, a passar…
Te trago um alegre vento
Num passatempo entr’o mar.

E esta voz que s’encanta,
Sussurros do teu vozear,
Brincando como criança,
Sorri e dança… a cantar.


Amita
(imagem de Guy D'Alessandro)

terça-feira, agosto 8

Trovas e contra-trovas em parceria II

Segredos, me traz o vento
rodopiando ao passar
e me leva o pensamento
pelas correntes do mar

Belos e doces momentos
do vento dançando no ar...

Aqui o fado é saudade
Aí se samba alegria
Na distância a amizade
de cor me enche o dia.

Assim meu canto suave
sempre enlaça fantasia...

Amita



O vento que, em tempestade,
Transforma tal calmaria,
Trazendo felicidade,
Onde mais nada existia...

Vento que queima e que arde,
Transborda na poesia...

A saudade é lusitana
E brasileira também,
O vento nunca se engana,
Vento que vai e que vem

Vento me traz, doce nave,
As notícias de alguém...

Marcos

sexta-feira, agosto 4

Como dois rios...


Imagem de Susan Rios

Como dois rios*, atravessam o espaço
Na difusão da Beleza em palavras
Nada pretendem, nem querem
A solidariedade espalham
Em plena Dádiva

São rios de águas límpidas e claras

Por eles me curvo
Em silêncio os saúdo
E enlaço
Sobre meu leito sereno
De rosas luzentes e pálidas
Onde amanheço
Num mar de prata

(*)Estúdio Raposa e Poesia Portuguesa

quarta-feira, julho 26

Diálogo com a Tela


Um esboço tracei de ti
Na suavidade das linhas
Tão tuas… tão minhas…
Ditadas pelo espelho
Que de longe me seguia
Penetrava e… sorria

Compilei gestos em tiras
Um estar em acalmia
Um profundo amor despi
Nas cores que a tela abria
Em poros, sopros de vida
Pela noite em tons d’azul

Sendo agora o meu espelho
E se de branco estou vestida
Diz-me quem voa primeiro
Se sou eu ou se és tu
(pintura de María de Echevarría)

segunda-feira, julho 17

Aroma da Terra...


Imagem de autor desconhecido



Rasga-se o céu em cascata
Clamores de luz imprevistos
Brada a voz da trovoada
E saio pela noite, inebriada
No baile de cores que avisto

Um perfume, um aroma quente
Se espalham no ar e m' enlaçam
Este cheiro a terra molhada
Esta erva verde que sente
E sôfrega se abre
No deslizar da gota d' água

Estendo os braços, rodopio
Fogosa na música rubra
Que me fala e acaricia
Emanações de amor e vida
Na minha pele desnuda

Pela hora da noite me espaço
No leito da erva em compasso
E danço… danço embevecida
Sob o intenso laço do arrepio
No perfume a terra molhada

quarta-feira, julho 12

Encantamento




Como uma pluma, pairo
Em cada letra que espalhas
De melodia urgente
Na brisa que o tempo clama
E pelo silêncio da noite
Se sente…a chama.

Pedaços de azul, instância
Nas vestes que a noite abria
Leves, soltas, brilhantes
Sobre as águas transparentes
No vento de ti se encanta
Uma aragem diferente

No caminho percorrido
Mui breve foi a distância
Insana... demente...
E o aroma de saber-te
Perdurará para sempre
Mesmo que se silenciem
Os mares, os ventos…
E essa luz que ternamente
Se esparge ao ler-te
Por mim paira
Doce
Serenamente



(Pintura de Jimi Adeniyi)

terça-feira, julho 4

Histórias de Povo


Fotografia de Zacarias Pereira da Mata


Trôpego, desalinhado
Trazendo o peso dos anos
Metidos na algibeira
Lá vinha o Zé, esgotado
Em seu passo arrastado
Descendo a escadaria
De pedra escura e fria
Para os lados da Ribeira

"Medo? Não! O Zé não tinha!"
O consenso era geral
Na tasca do Ti Jaquim
Tão cheia de pessoal
Todas as vozes se abriam
Numa algazarra sem fim

Inda puto endiabrado
Danado p'rá brincadeira
De fundilhos remendados
Surripiava o que via
Pão, fruta, rebuçados
Tremoços às vendedeiras
E de olhar amarotado
Assobiava e sorria

Medo?! O Zé não tinha!
Clamavam a um tempo certo
Era um líder, era o chefe
Do séquito que o seguia
Quando começava a feira

Chegada a puberdade
Em abono da verdade
Justiça lhe seja feita
Não havia rapariga
Que não caísse na graça
Daquele olhar trocista
Da sua meiguice inata
A que a bondade sujeita

Ora afoito ora arredio
Sua sorte foi tentar
Tornou-se embarcadiço
Do bacalhau luzidio
No Norte que se diz mar
Entre choros e desditas
Nos lenços das belas Marias
Acenando pelo cais

Imigrou, sei lá que mais…
O seu rasto se perdeu…
De quando em vez
Uma letra aparecia
Breve e tão fugidia
Que o povo da Ribeira
Murmurava: "Talvez
Apareça nesta vida"
E foi o que aconteceu.

Na tasca do Ti Jaquim
E não sendo vez primeira
Uma interrogação se abria
Então porque assim descia
Trôpego, em desalinho
Quase sem nexo nem tino
A calçada da Ribeira
Se, medo, o Zé não tinha…


Poema in "Transparência de Ser"


sexta-feira, junho 30

Psst…


Imagem daqui



Psst… Sim! Tu… aí sentado
Conta-me histórias mudas
Circunscritas pelo silêncio
Que habitas vestes e usas
A todo e qualquer momento

Psst… Sim! Tu… que aí estás
Olhando para o outro lado
Quando em letras te falo
De tudo, menos da lua
Que dança por outro espaço

Psst… Sim! Tu aí… também
Que dizes chegar por bem
E o peso de um passado
D'intensos amores sem paz
Se verga em dedos cansados

Vá lá… Sorriam…
Esqueçam a amargura
Da vida triste e dura
Na solidão que enfrentam
Vá lá… Pairem serenos
Nesta voz que vos entende
Nesta mão que se estende
E em ternos laços acarinha
Os traços da melodia
Antiga, dolente e bela:
"Por morrer uma andorinha
Não acaba a Primavera"

Vem… Vá lá!... E sorri
Sim! Tu… que estás aí…


Poema in "Transparência de Ser"


domingo, junho 25

Encontro do Verbo

tela de María de Echevarría
Ama-me ou esquece-me
Integralmente …
Para mim os meios-termos
São complementos
De palavras
Espaçadas por um vento
Em névoas baças

Ama-me ou esquece
A minha existência
Não há flores nem cores
Nem músicas dolentes
Quando crua enfrento dizeres
Repletos de sentimentos
Não claros

Assim me obrigo
Assim te quero
Nu... distinto dos outros
Repleto…
Mas se da fama fazes conceito
Enfrenta o rio de lama
A preceito…
Erecto…
Na verticalidade do espelho
Que te anima e clama

Esquece ou ama-me
Do verbo se faz a palavra
Radical e sem mágoa
Te leio

domingo, junho 18

Nas Cordas da Alvorada


Imagem de Vladimir Kush

Lançam-se fios e cordas
Memórias que o tempo espaça
No denso verde da floresta
Dançam os corpos leves
Em revolteios que encantam

Com seus passos de veludo
Uma sombra há que canta
Pelos verdes azuis e rubros
Das veredas deslizantes
De fungos líquens e musgos
Que as cordas não alcançam

Como braços pontiagudos
Descem das árvores liambas
Rodando contorcendo se desnudam
Ao vento que as escuta e chama
Com os seus orvalhos mudos
Quando a noite mais alto clama

São toques de sedução
Tendo as folhas como véus
E o luar bailando aos céus
Suspiros murmura e então
Nos fios a floresta s'enlaça
Numa ilusão escaldante

Só quando a noite se deita
E desponta a alvorada
Se ouvem os sinos mudos
Canções que o silêncio enfeita
Nas cordas que o tempo espaça
Memórias sorrisos instantes

terça-feira, junho 13

Recordações...


Imagem de Vladimir Kush


Um rio de memórias adormece em céu aberto
Histórias, saudades, em folhas sépia
Um saber em desamores correndo o dia
Fugazes, incautos e breves num trilho incerto

Tal como a página em branco que acredita
Ser preenchida por cada letra esvoaçante
Que fala, desdobra e movimenta a sua dita
Assim minha Verdade é forte e constante

Crendo ou não querendo sempre a espalho
E meu ser de areia se anima no deserto
Como vento dançando o pó das dunas, abro

Memórias, recordações, saudade dos tempos.
Pela ternura do sorriso franco e aberto
Nos caminhos correm brilhos leves, serenos.

quinta-feira, junho 8

Na Orla d' Água...


Imagem de autor desconhecido


Um dia
À minha porta o carteiro bateu
De mãos vazias…

Nas palavras soletradas
Por seus olhos já cansados
Lembrou-me daquela carta
Nas letras… despida …
Pelos Tempos espaçada
E que nunca fora escrita

Murmurou símbolos marcas
Doces contactos pintados
Em esvoaçantes sorrisos
O doce aroma dos laços
Que cada hora se criam
Nos atalhos dos caminhos

Falou da solidão das peles
Que só delas se vestiam
Na natureza adormecida
Da era da descoberta
Do ocaso do negro da luz breve
Tão profunda tão sentida
Levada p'ra parte incerta
Pelas correntes da vida

Tantas foram as palavras
Por seus olhos emitidas
Que pousada na orla d'água
Abri portas janelas da casa
Ao arco-íris da brisa

sexta-feira, junho 2

Pelo silêncio da tarde


J.W. Waterhouse

Um tudo-nada tu amas
Um nada-tudo desejas
Do cristal, as transparências
No tarde-nunca as vejo
E sobre as horas desatentas
Dançam flores de vento
Neste tempo das cerejas

No tudo – nada – nunca – tarde
Desfio contas salgadas
Em miríades luzentes
De sons vozes vontades
E plano serena nas águas
D' um azul bem diferente
Que em cantares se sente

Pelo silêncio da tarde

terça-feira, maio 30

Transparência de Ser...


Imagem de Ellert Grétarsson


Esquemas, sistemas, desejos, vontades.
Quatro palavras martelando as cidades
Folhas desfalecidas transportando rodopios
Esvoaçavam pelo parque

E voltavam….

Esquemas, sistemas, desejos, vontades.
Do solo se erguiam raízes… iniquidades…
Velozes na corrente em desatino
Numa sonora invisibilidade

E reviravam…

Desejos, sistemas, vontades, esquemas.
Noites mordendo rasgos em leves temas
Soltavam teclas em correrias mudas
Surdas, absurdas, compactas,
Na colheita de frutas maduras

E regressavam
Dos buracos escavados nas cidades
Em círculos rubros ao mato
Onde as inventadas cerejas
Cândidas, plácidas e vermelhas
Em pés verdes disfarçavam
Desejos, sistemas, vontades, esquemas.


Inspirado num texto do blog Virtual Realidade

Poema in "Transparência de Ser"

sexta-feira, maio 26

Dádiva


Pintura de Freydoon Rassouli

Ofereço-te rosas e lírios
E todas as contas que fio
Para que possa cantar

Dos montes e vales que sigo
Ofereço-te o aperto do grito
E as encostas do luar

A doce água dos rios
Do oceano, o abrigo
E as pradarias do meu mar

Do vento, as rajadas silencio
Com pirilampos a noite ilumino
E das arestas do caminho
Afasto esses densos limos
Tecendo serenos brilhos
Que te ofereço com carinho
Na trama branca do linho

Mas deixa…
Deixa-me cantar
A ternura do sorriso

domingo, maio 21

Era em Maio...

Intercalado na palavra soletrada
O beijo
Ansioso, ávido, guloso
No fluir da descoberta
Sorvia a hora incerta
Do logo… do amanhã…

Inclinadas no recosto do dia
As mãos
Ternas, tímidas, amenas
Em floreados movimentos
Tacteando a seda a alegria
Da música cúmplice de sal

Enternecidos no rubor da brisa
Os olhos
Cuidadosos, doces, ardorosos
No aroma que pairava leve
Entre o temor e o desejo
De seus arrojos contidos

Era em Maio
Que nesse interregno de tempo
As orlas luzentes do mar
Enrolavam a areia fina
Arrastando-a para o seu reino
No leito da utopia
(pintura de Tanja Hoffmann)

quinta-feira, maio 18

Interiorização


Tudo o que aqui vês faz parte dela
Dessa sombra fugidia e discreta
Em perpétuo movimento

Tudo o que dela vês são filamentos
De voz sussurrando o silêncio
Em terna forma de amar

Aromas circulares em cadência
Elevam as quatro pontas do tempo
Sempre que a sentes no ar

Pelos sulcos que a água o fogo traçam
Cruzam-se aves verdes em cantatas
Na harmonia do pêndulo

Se a sombra no pensamento desliza
Cortam-se-me as palavras com dolência
E esta pedra onde repouso e me sento
Me fita
E em estilhaços se desfaz

segunda-feira, maio 15

De Maio, canto...














Quando me canta a saudade
Tão profunda, tão inteira
Por mais versos que cante
Não adia nem remenda
O que a saudade lembra

Cada história é gravada
Bem no fundo do meu peito
E os dias em desfolhada
Pairam em fios estreitos
Nesta longa caminhada

De Maio canto o primeiro
Que em três se repartiu
E em cada esquina enfeito
D’alegres, tristes espelhos
Cantigas que Maio abriu

Leves voam o quarto, o sexto,
No sorriso que me enlaça.
Os décimos segundo, terceiro…
E nos caminhos percorridos
Pinto de flores, de brilhos,
A memória que não pára

Se a saudade me lembra
Me aninho no azul, no branco,
E teço veladas letras
De amor, de paz e de laços
No doce silêncio de um traço



Poema in "Transparência de Ser"

sexta-feira, maio 12

A cidade das tílias

As tílias lançam leves flocos pelo ar
Partículas de letras dispersas
Pelo fulgor da Primavera
E esboçam desejos em danças
Subtis, doces e belas

Levadas pelo calor do espaço
Percorrem fluxos da brisa
E os brilhos que espalham
Transformam sorrisos e beijos
De intenso azul do mar

Na cidade das tílias dançam flocos
Como pássaros pendurados
Nos braços, nas mãos, nos olhos
Da serenidade de estar.

segunda-feira, maio 8

Infinity Spreads


Queria enrolar-me nos braços
Adormecer o cansaço
Colorir a fantasia feita de mel e de sal.
Prosseguir a caminhada
Na ternura da estrada
Que me leva e me traz.
Soltar este grito prensado
Pelas pedras que limos tapam
E pelos muros trepando os céus.
Abrir o silêncio do sol e fazer dos passos da lua
Aquela água tão pura que tudo limpa e desfaz.

Pudesse eu no tronco da árvore que abraço
Em miscelânea de cores
Musicar a partitura com claves de fá
Pendente nas mãos do poeta.
Juntar as notas dispersas
Nos olhos da ramagem verde
Que me cobre o azul dos dias plenos
Por cada areia dura lançada e não se vê.
Transformar em nuvem alada
E na espuma doce das asas
Me aninhar descansada.
Não sei de quê…

Entre o querer e o poder
Enorme é a distância
Que contemplo a cada estância.
Me exorcizo no vento espiralado
Na turbulência das águas
E desnudo o silêncio do terno sorriso
No sereno brilho do Ocaso

Voando para o Infinito
Deposito
Minhas asas

sábado, maio 6

Camuflagem



















Sobem os títulos pela casa
Isolada
Expectante
Camuflada de gente
Que não veste o que sente
E se sustenta de trocas

Doutor, quer um café?
Engenheiro, uma cerveja?
Conde que lhe ofereço hoje?
Marquês, uma água talvez…
E pensava: p’ra curar a bebedeira.

Eram mesuras, mezinhas
Saracoteios e fitas
Misturados com o chá da hora
Que se previa longa, dolente
Camuflada em contratempo
Desta música de agora

Que linda está, senhora!
Seu vestido é deslumbrante!
Madame que elegante!…
E pensava: quanta mossa...

Voavam beijos, beijinhos
Sorrisos e sorrisinhos
Naqueles olhos distantes
Que captavam deslizes
Para o corte
E em suaves meneios
Faziam pose
Para a revista na moda

Descem os títulos pela casa
Unificada
Repousante
Despida de gente

Da sombra de horas
Dormente

quarta-feira, maio 3

Em Flor de Azul















Saber de ti e das coisas
dessas… das concretas
das vulgares, das complexas
talvez mesmo indiscretas
as que poem tudo a nu

Quem sabe das andadeiras
e também das rotineiras
sejam duras ou ligeiras
últimas ou as primeiras
que a franqueza produz

Saber de ti e das coisas
é poder voar mais alto
ultrapassar os socalcos
das ondas que se deduz

Colorir uma tela dispersa
entrar na alma do poeta
e cantar... cantar a luz

Espalhar beijos abraços
da ternura tecer laços
e sorrisos tantos... tantos
qu’o saber de ti seja o canto
das coisas em flor azul



Poema in "Transparência de Ser"

sábado, abril 29

No siêncio canto...














Será que um dia
ressurgirá a estrada
qu’à minha frente s’alinha
e que corre descuidada
por muros, betão armado
e nem a cidade ilumina?

Será que o azul do mar
cantará um hino d’amor e paz
pelas árvores pelas casas
e do parque que avizinho
soltarão pássaros trinos
nas canções inacabadas?

Será que na tela da praia
onde corpos jazem serenos
passará a voz do vento
rodopiando cantigas
numa eterna melodia
sem destino e sem senso?

Falarão as montanhas um dia
do deserto que as aninha?
Farão do céu estrelado
o seu leito inacabado
no vale qu'o vazio espreita?
Suaves são as letras de areia...

Daqui, onde me sento
tudo avisto nada vendo
Visto panos que não uso
e me dispo no silêncio
deste mundo nu e cru

terça-feira, abril 25

Cidade Imaginária
















Descobrem-se vozes em vendados sussurros,
dissecam-se as palavras em parcos minutos
e, das letras dispersas que pairam no ar,
saem muros que nem a ternura do olhar
espaça

Demarcam-se posições, lugares em escada,
constrói-se um roçar de lábios na praça
e, dos cantos num ultimatum emudecidos
chega a partida dos enlaces esquecidos
sem dores

Jorram-se poemas nus em cascata d’amores
perfeitos, pela aveludada aragem das flores
e, do sentido de posse marcado no espaço,
solta-se o silêncio do mundo num abraço
de sorrisos
doces

(pintura de Lucemar de Souza)



Poema in "Transparência de Ser"

sábado, abril 22

Na Hora do Arrepio












Por vezes
Quando a escassez do tempo se abre
Vagueio entre a prosa e poesia
Apanhadas ao acaso

Um dia
Encontrei belas palavras
E mergulhei inconsciente
No canto que as soletrava

Ante meus olhos corriam
Um caos em desatino
Afogado em falsas águas
Na obscuridade da noite densa
Um desafio vago, maldizente
Por flores que traços fazem
Uma obsessão demente
De utopia perdida no tempo
Na orla de sílabas espaçadas
Um caminho não cumprido
Que o Amor, a alegria
Consigo não traz

Tão iguais eram as palavras enfeitadas
Para agrado… sem brilho
Que fiquei suspensa na hora do arrepio
Adormecendo semanas

Quantas vezes
Um vazio desconhecido
Emudece o silêncio
Sereno
Da Paz



Poema in "Transparência de Ser"

terça-feira, abril 18

Os Cinco Sentidos













Na dança dos sentimentos
Em brancas letras me espraio
E desperto os sentidos
Canções de cada momento
Nesta ternura que avisto
D’um Outono em flor de Maio

Se te olho não te vejo
Se te toco não te sinto
Me falas e eu vagueio
No tempo do teu abrigo

No aroma que não cheiro
Desenho círculos e traços
Pontos mudos em abraços
Que serena saboreio

Se brancas palavras escrevo
E deslizam meus sentidos
Pinto beijos flores sem medo
Deste Abril num voo antigo
Qu’em laços perdura um vento
Feito de Amor e sorrisos

segunda-feira, abril 17

Chegam os Narcisos//Deambulações em final de Inverno

"Chegam os Narcisos"

Meus amigos
Declaro o tema complexo.
Trabalhei em céu aberto
E algumas noites a fio.
Para que dúvidas não restem
Vos digo
Dos meus passos percorridos
Na busca do belo narciso.

Desbravei a Psicologia
Botânica, Geografia
Na Matemática m’embrulhei.
Desfolhei dicionários, revistas
Enciclopédias, jornais
Naveguei na Internet
Muitos Narcisos avistei…
Não a flor que pretendia.

Virei-me para a Mitologia.
Tanto achei de Apolo e Diónisos.
Do que formigava meus sentidos
Tudo era escasso.

De olhos vítreos cansados
Com a mente aos pedaços
Parei.

Chegam os narcisos, é certo
Mas tão serenos, tão quietos
Que só quem ouvir souber
E d’olhos despertos estiver
Percebe que na actualidade
Tantos há pelos caminhos,
Em cada pedra, luar,
Campo, deserto, no ar…

Reflectidos
No seu próprio espelho d’água

(Vermoim, poesia com tema – 4/Mar/2006)
Publicado por amitaf324 em 01:15 AM Comentar (6)
Março 6, 2006



"Deambulações em final de Inverno"

Vagueio
Num deserto de mansas águas
Cada areia m’embarga a palavra
Pela brisa que me cala

Desejo
Sim... como desejo
Tudo aquilo que não posso
Não tenho
Em existência pacata

Invejo?
Não! Como poderia…
A vida é uma correria mecânica
Das sombras emudecidas
Pelo betão das cidades

Na pele sinto
As areias agrestes e finas
Nas mãos do vento Suão

Tento
O silêncio das árvores mansas
Onde peixes rochas aves
Descansam os estilhaços revoltos das águas
E dependuro o meu coração
Qu’entre passos embargados
Sangra máscaras
Que sinto e vejo (não)


Publicado por amitaf324 em 02:10 PM Comentar (2)
Fevereiro 28, 2006



Poesia in "Transparência de Ser"


Vida



















É dor, esperança, alegria.
Um sentir que se amofina
ante um olhar calado.
Um mar que nos beija, encanta
e com seus passos de dança
apaga rastos de outras vidas,
esboços na areia branca.
Um acto de amor em crescendo.
O germinar de sementes
com sorrisos de dor.
Deserto onde uma flor desponta
num arco-íris de cor.
Uma voz arrastada e rouca
espalhando a sua sina.
Fragmentos de vento
na tristeza escondida
de seres que nada contam.
Uma omissão que se pinta
em solfejos musicais,
se sofrida, se faminta…
Um coração comprimido
d’um amor que não alcança
aquela mão estendida
por ternura, da criança.
Uma montanha, uma rocha
uma árvore florida.
Simplicidade, fantasia
tecidas em fios de prata.
Uma nascente, uma fonte
uma pinga espreguiçada
que a sede ao velho mata
cansado e corcuvado
de tanto cavar a vida.
Banco ou vão d’escada
em cada canto, esquina
quando o tempo adormece
pelas moitas e estradas
o arrasto do peso de dias
de teias sem luz tecidas
nos passos amorfos, dolentes
dos malabaristas da vida.

A cegueira não entendo
mas sigo serenamente
lançando amor
e sorrisos
pela Vida

(pintura de Jane Yechieli)
Publicado por amitaf324 em 02:49 AM Comentar (7)
Fevereiro 19, 2006

Viagem // Dualidade

"Viagem"

Recuso!Dizes e eu acredito
Que seguir tuas palavras
Do verbo no infinito
Tece espelhos de prata

Recuso!Interiormente murmuras
E essas palavras duras
Não as segues
Nem te encantam

Me dizes nessa distância
Se nada existe nas letras
Como podes contemplar
O mar com suas vagas
O sol qu’esconde o luar
E em doçura amena
Desenhar o poema
Na constância

Não recuses nem t’espantes
Pelo nosso caminho errante
Habita um ponto comum
De onde derivam raios
Anseios de amor e luz
Não esmorece, constante
Fruto d’essência sentida
Mui breve cheia de vida
Tu és eu e eu sou tu.

Não recuses das letras
Seus passos serenos
No caminho nos sabemos
Inteiros e nus.

Publicado por amitaf324 em 02:08 PM Comentar (5)
Fevereiro 14, 2006



"Dualidade"

Doce sol-mar quente e terno
Encobre seus fios breves
Entre palavras de fogo

Olvidos de quem não teme
Não pretende e nem segue
Em cada cantar o brilho
Das folhas os voos silentes
Na dança em que renasço

O sol em letras se sabe
Evaporando o sorriso
Em éter forma o nada
O doce abrigo a estrada
Que corre sempre consigo

Doce amor que bem quisera
Saber-me unida na espera
De cada palavra sua
Que em delongas se atrasa
E se perde pela rua
Do mar qu’em letras se abre

Cada quimera é um laço
Dois pontos um só traço
No mar-sol serena me quedo
No beijo do seu abraço
Amor tão longo tão breve

Publicado por amitaf324 em 05:15 PM Comentar (7)
Fevereiro 9, 2006

Tempo de Inverno













Deslizo nas horas sem tempo
Nas letras tristes recebo
Em forma d’aviso
As vagas do grito
Nessa dança penetrante
Da ave que busca o sorriso
Que se espaça
Distante

Tu sabes é tempo d’Inverno
Cobrem-se de véus os brilhos
Do branco que acontece.
No espaço não previsto
Cada floco é um reflexo
D’amor doce etéreo
Em sintonia constante

Por muito que os flocos
O vento transporte
Manténs a elegância o porte
De um silêncio sentido
Mergulhas num mar ausente
As vibrações que te chegam
Doces, d’azul plenas
São do sonho meu abrigo
Nas hora d’Inverno dolente
Que em voos sigo
Serena
Timidamente

(pintura de Marc van der Leeden)
Publicado por amitaf324 em 03:47 PM Comentar (6)
Fevereiro 4, 2006

Sal de Fogo
















Dedilho-te com dedos febris
Onde gotas de sal acontecem
Sorvo-as uma a uma lenta
Len-ta-men-te
E estico
As cordas do tempo
Nas teclas dormentes
Aromas…
Sabores mil

Desmembro os cristais
As pérolas, os traços
Não hesito
Ávida percorro os sons
Na sinfonia de fogo
Que aquece
Endoidece.
Em mergulhos loucos
Me quedo…
Dedilho
O agri-doce dos sonhos
Que permanecem nos dedos
Suaves…
Febris...


(pintura de Nide)
Posted by amitaf324 at 11:15 PM Comentários: (7)
Janeiro 28, 2006

Flor de Laços















Pelo canto
Pelo abrigo
O beijo
O abraço
Me feneço contigo
No infinito
Sereno
Dos laços
Que lentamente
Em iluminuras
Sorrisos
Traço

(imagem enviada por mail)
Posted by amitaf324 at 02:46 PM Comentários: (1)
Janeiro 27, 2006

Doce Memória














Seis da manhã…
Inda a lua embalava
A amena Alvorada
Onde o sol s’estendia
Adormecido
Em sussurros de paz

Despertou em águas mornas
Que em seu leito corriam
O sono abanou a hora
Da suave melancolia
Num leve espanto
Que o seu ar sereno
Constante
Não entendia.

Inocência de tempos
Distantes
Diferentes
Dor em luz de amor
Nascida por bem
Nas mãos pequeninas
Desfolhando sorrisos

Memórias são encantos
Doces ternos brilhantes
Em Parabéns vividos

(Ao meu filho pelo dia de ontem)
Posted by amitaf324 at 01:27 PM Comentários: (11)
Janeiro 22, 2006

Até breve .. Até sempre ...




Caminho pela areia
Do deserto
Meus passos, de tão leves
Rastos não deixam…
Nem traços...
O doce canto
O vento os apaga
Obscurece

Longe… muito ao longe
Avisto um oásis
A água mater
Que ilumina e encandeia
O sol dos dias
Nas horas mortas
Do caminho sereno
Lento
Levíssimo
Que riscos não deixa
Apenas sorrisos
E rosas…


(fotografia de GettyImages)
Posted by amitaf324 at 09:21 PM Comentários: (7)
Janeiro 7, 2006

Serena canto ...






Quisera cantar o poema doce
Dançar nas ondas do mar
E no brilho suave d’estrelas
Quisera em pontas ficar

Quisera pintar amores
Dos perfeitos, mais bonitos
E das cores, as mais belas
Enfeitar o meu vestido

Dissipar a branca neblina
Que esta cidade envolve
E dançar, dançar o dia
Na ternura que me move

Quisera correr os campos
Onde s’espelham as flores
Mitigar todas as dores
Em laços soltar meu canto

Se o fuso do vento passa
Em sibilantes latidos
Hoje espalho a Graça
Com fios eu bordo brilhos
E queira eu ou não queira
Serena teço sorrisos
Na voz dos voos imperfeitos
Que entoo com carinho

(imagem: GettyImages)
Posted by amitaf324 at 02:23 PM Comentários: (18)
Dezembro 26, 2005

Boas Festas




Cristais
Pérolas de fogo
Reluzentes
Seda das flores
Carinhosas e ardentes
Em laços transformados
Iluminuras
Vitrais
A ternura dos sorrisos
Abraço constante
Nunca esquecido
Uma teia de pinturas
Transparências
Melodias doces
Luar, sol e mar
O saber despontado
Em luz e cor
São vocês todos
Meus amigos
Para quem escrevo
O profundo desejo
D’alegres Festividades
Um Novo Ano de sonhos
Realizados
Em cada amanhecer
Sereno
De Paz

(imagem: GettyImages)
Posted by amitaf324 at 02:23 PM Comentários: (14)
Dezembro 19, 2005

Sombras


Ausente de mim vagueio
Pelas palavras de nada
Que me entram em rajadas
Incongruentes
Alteradas
Em cada despertar luzente

Ruídos de posse perdidos
Na lonjura do tempo
Se não existência sentida
Absurdas são dementes
Teimosamente presentes
D’um orgulho ofendido
Cego de tudo que teve
E esvaíu em fumo
De vento

Todos os dias há máscaras
Torcidas
Diferentes
Delineadas ou espontâneas
De quem passa a vida leve
Na brisa fútil correndo…
E a voz do sorriso esmorece
Na pressão que obscurece
Cada aurora brilhante
Clara
Serenamente vivendo


Posted by amitaf324 at 03:24 PM Comentários: (6)
Dezembro 12, 2005

Laços na Distância




Por vezes sou o embalo da dança
Caminhante nas pontas das horas
Que voa em seus passos serenos

Por vezes o fogo que se ateia
Em simples letras apenas

Por vezes sou a doce calmaria
Que o amor em ternura espelha

A ausência das águas da lua
Que no meu leito se banha

Mas há uma luz que incendeia
Um sorriso que se espalha
Um voar doce constante
Que a Natureza enfeita
Laços de Fraternidade
Puros
Singelos

Na distância

(imagem: GettyImages)
Posted by amitaf324 at 11:46 PM Comentários: (9)
Dezembro 2, 2005

Brincando ...

Tão diferentes tão iguais
O traço percorro contigo
Se feneces nos meus ais
No teu enlace eu revivo

Se passeio na pradaria
No mar banhas teus pés
Quando só azul eu via
De cinza cobrias véus

Se te banha tempestade
O sol em mim tu o lês
Quando falo da verdade
Foges dela a sete pés

Se de peles te enfeitas
Eu visto tua epiderme
Se com elas te deleitas
De mim sentes o germe

Se faço um traço tu riscas
Se t’ escrevo não respondes
Mas se me mandas missivas
Em silêncio me escondes

Tu amas a poesia
Eu no poema vagueio
Na minha cama vazia
Te deitas e não te vejo

A luz que mantenho acesa
Quer de noite quer de dia
Sustem um querer sereno
De quem sabe e se sentia
A estrada o trilho imenso
Que se expande sorrindo
No baile das folhas verdes
As flores de nós no carinho
Sendo iguais são diferentes


Posted by amitaf324 at 02:46 PM Comentários: (14)
Novembro 25, 2005

Rosas do Deserto














Banhei formações rochosas
Em água pura e cristalina
Que el Djerid floriu em rosas
Com aroma de maresia
Desligando-as da poeira
Que o tempo lento cobrira

Cintilaram pela aurora
Nas flâmulas que o sol trazia
Jorrando fios de sonhos
Onde meus olhos pousaram
Nos embalos das cores
Da queda livre sentida

Corri no oásis da emoção
Que a estrada de areia seguia
E na branca solidão do deserto
Colori com muito carinho
O silêncio do sorrriso doce, terno
Qu’ el Djerid em ouro m’ oferecia
Nas águas puras, cristalinas


(Aos meus Amigos que tanto prezo e amo sem distinção de sexo, credo ou raça, e a todos os que por aqui passam, conhecidos ou não, e que o seu carinho me deixam, peço desculpas pela ausência, mas nem sempre o Tempo consente que directamente vos abrace. Assim sendo, com toda a ternura vos desejo muita Luz, Paz, Amor e serenidade)
Posted by amitaf324 at 12:22 AM Comentários: (8)
Novembro 21, 2005

Voos



Me sentes em cada hora
Que de ti eu mais preciso
Que dizer se sentido sentes
O meu refúgio meu abrigo

Se nas folhas do vento
Em rodopios te sinto
Que fazer no tempo dolente
Dos véus d’água oferecidos

Assim se sente quem sente
Cores rosas e navios
Que fios tece por entre
Fráguas e nos mares ditos
Espalha seus sentimentos
E só sente se me sente
Consigo no passeio sereno
De luz amor e sorrisos

(imagem de: Walter Tatulinski)
Posted by amitaf324 at 01:10 PM Comentários: (10)
Novembro 15, 2005

A Barca



















Perdi a barca, senhora,
Que vai para a outra margem
E não sei como alcançá-la
Escassa o tempo p’rá viagem

Na infertilidade do dia
A tempestade lá fora
À minha casa batia
Saltando muros e portas;
No vaguear dos passos
Das vozes emudecidas
Arrastando as correntes
Grilhetas da apatia
Que a hora em compassos
Os ponteiros espremia;
Na febrilidade do fogo
Que o sol de cinza cobria
E os mares revoltados
Pariram calamidades
Que o homem de braços
Pendentes, adormecia;
Nas dores e nos tormentos
Do voo rasante das aves
Suas penas foi perdendo
Espalhando pelo vento
Temores de liberdade

Perdi a barca, senhora,
Na aurora do dia claro
Na noite que o farol abriga
Aquele luzir constante
Dessa mesma travessia
Da hora que foi perdida
E não sei como encontrá-la

(imagem retirada da net)
Posted by amitaf324 at 10:10 AM Comentários: (13)
Novembro 10, 2005

Querida, como te adoro....


















O teu porte é elegante
Esguio, olhar distante
Próprio dos sonhadores

O tempo, teu inimigo
Não o é se estás comigo
Perdido em mel d’ amores

Sussuro-te terna ao ouvido
Como te adoro, querido!
Cada vez que me abraças

Sorris e dizes baixinho
Meu terno amor, meu carinho
Encantos teus que não passam

Deslizas em meu corpo e mente
Em alvorecer ditoso, luzente
Momento eterno, sem fim

O fulgor desponta mansinho
Em sábias mãos, pele, no ninho
Enlevo de amante em mim

Palavras, letras, em poema
M’envias sem que a mão trema
Querida, como te adoro!

O tempo em tempo foi passando
Cada minuto, segundo, um encanto
De paixão, ardor, que devoro

De rubro escarlate vestido
Sentes que vais diminuindo
Perdido no meu abraço

Não temos inconfidências
Meu Lápis… só as demências
Que serenamente enlaço.


Posted by amitaf324 at 10:20 PM Comentários: (6)
Novembro 7, 2005