quarta-feira, novembro 29

Urgentemente


É urgente o amor
É urgente destruir certas palavras –
Ódio, solidão e crueldade…



É urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.



Cai o silêncio nos ombros
E a luz impura até doer
É urgente o amor,
E urgente permanecer.



Poema de E. Andrade -
gentilmente enviado pelo amigo Vítor C.
(Foto de Verónica Carter)

sexta-feira, novembro 17

em rosa rubra

Nos teus braços de palavras
Me enrolam carícias mudas
Qual rosa rubra despontada
Que seu doce aroma espalha
E pelo espaço perdura


Soltam-se pelas cidades, inter muros
Os pontos que no Tudo abarcam
Estilhaços esvaídos em leve fumo
Quando em ti me lês nos traços
Desprendidos, planos, profundos


Sob as longas raízes criadas
Me enfeitas e desnudas
A serenidade dos passos
O beijo que o vento permuta
Esse encontro inesperado
Num qualquer presente-passado
Feito de essência e candura


Assim me enlaçam palavras
Fragrâncias de rosa rubra



Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

Poema in "Transparência de Ser"

segunda-feira, novembro 6

Sem Tempo ...


E conversas comigo…
E me embrenho nas palavras significativas
De símbolos pairando nas entrelinhas
Que desvio… desvias…
Como se o tempo delas não fizesse sentido

E falamos com leveza
Da futilidade dos dias
Da doença das viagens em cadência
Do tudo e do nada que temos
Na omissão constante de brilhos plenos

E sorrio… sorris…
Num prolongado breve momento
De um tempo ido… sem fim
E cruzam-se a esperança e a nostalgia
Entre nossos anos leves de vento
Encanecidos nos cabelos

Que fio… que fias…
Pelas palavras serenas
Merecidas e eternas
Numa entrega simbólica e plena
Sem tempo…


Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

Poema in "Transparência de Ser"