quinta-feira, dezembro 28

E do amor ...


Se soubesses, meu amor, o quanto
A saudade tece seus dias
Saberias, sim, saberias do seu pranto
E com leves véus cobririas
As letras breves … de encanto


Se soubesses do amor as suaves telas
Que pinto, desenho em branco
Abririas, sim, abririas folhas belas
Sobre a noite que, entretanto,
Te olvida, cinzela… calando


Mais do que tu soubesse eu do amor
Na placidez amena de um canto
Usaria em teias macias cada cor,
Contente,
E na pele do tempo banhada em flor
O areal da vida sorriria enquanto
Dormente
Meu colo embalas… de espanto


(imagem de Tolga)
Com carinho a todos desejo um Feliz 2007
Poema in "Transparência de Ser"

quinta-feira, dezembro 14

Apesar de tudo...


Apesar de tudo
Pelo silêncio se espalha um canto
Um voo desnudo
O azul abraço do espanto
No pêndulo em horas tecido.


Um breve instante, um minuto
No leito aveludado, branco
Do rio cantado quando lido
No ondular ameno da jangada.


Apesar de tudo
Os laços que em pontas dançam
Equilibram do chão as tábuas
No rosto corado das crianças
Em amor e claridade
Na voz alegre das palmas.


E pela brisa bafejadas
Reluzem serenas asas nuas
Sobre a foz que o rio alcança
Como o amor suspende a cidade
Adormecida em oiro
E em prata despertada.

(fotografia de Maurício Martins)