Desfolhei, uma a uma, as folhas que me rodeavam.
Folhas lisas, brancas, inertes, compactas.
Procurei os tons da melodia porque tanto ansiavas.
Como afagando as teclas, meus dedos impacientes continuavam a busca incessante de cores, de pinceladas sonoras, que se mostrassem.
Surgiram claves, semi-breves, colcheias, dispersas, abandonadas, mudas, sem norte.
E as folhas saltavam nervosas, agitadas pelo cinza que me estava envolvendo.
Umas voavam qual pássaro listrado planando no vento;
outras não chegvam a declarar a sua existência de seres vivos, pensantes, plenos de melodia.
De ti, nada...
Ouvia campaínhas tubulares em suave trinado, sussurrando: piano ma non troppo.
Como queria encontrar-te!...
O abandono, a fuga, quem sabe, a brincadeira, tomou conta de ti, de mim, de nós.
Eu era o jogo... Tu, o jogador.
Eu era o croupier... Tu, a banca.
E a banca ganha sempre!
Desisti, sim, mas temporariamente.
Voltarei para o encontro tão ansiado.
Voltarei para te encontrar, minha partitura.
E então iniciaremos o concerto juntos, em perfeita harmonia...
Posted by amitaf324 at 07:39 PM Comentários: (13)
Julho 27, 2004
Comments em arquivo:
ResponderEliminarComentários: A Busca
Bravo! Por certo o concerto terá sucesso garantido, por muitos e muitos anos. Enviado por Manoel Carlos em agosto 10, 2004 11:36 AM
Amiga, de volta, te lendo e me vendo tb..Beijos e bom final de semana Enviado por Angela em julho 30, 2004 03:51 PM
Amita:))) vim me deliciar com seu belo texto e desejar a vc um excelente fim de semana. Bjsss do meu Brasil. Enviado por EmbaixatrizdoBrasil em julho 30, 2004 09:52 AM
ulahh :) td bem linda? hehe bonito post beijos** Enviado por Kikinha em julho 29, 2004 06:30 PM
Amita, gosto imenso deste teu tactear as partituras. A busca como o ensaio de uma orquestra. As orquestras, um veio de afinidade, cumplicidade nosso. A busca, esta atávica, necessária e inquestionável para quem se pretende vivo. Beijos, minha amiga, Lia Enviado por Lia em julho 29, 2004 12:03 PM
Amita, está muito, muito bonito. Mas pensa que a banca não ganha sempre. Aliás, no amor... só se atinge plenitude quando ambos ganham. Espero que em breve as folhas que encontras ganhem vida, que as músicas que ouves ganhem um som que te seja muito melodioso e que o concerto a dois seja eterno. Beijos. Enviado por Carla em julho 29, 2004 06:44 AM
Uma busca constante que é esta vida!Uma busca de tudo e de nada...Mas, ainda bem que assim é.Belas palavras as tuas. Bonito texto. Enviado por MWoman em julho 29, 2004 12:46 AM
Não desististe... adiaste ! E o compasso de espera do reencontro pode ser delicioso :-) (hoje estou insuportável) Beijo Enviado por inconformada em julho 28, 2004 05:37 PM
Texto Lindo!!!Espero sinceramente que haja um reencontro, reencontro com tudo a que temos direito. Um abraço. Marta Enviado por MARTA TEIXEIRA em julho 28, 2004 02:03 PM
Belo Amita. A dor da ausência, a saudade, despertaram-te palavras belissimas. Desejo que o reencontro aconteça rapidamente, e que te possas desenhar em cores de amor, de felicidade, de vida... Beijinhos Enviado por Maria Branco em julho 28, 2004 11:18 AM
A busca, o jogo, a procura... e o encontro já ali, ansiosamente, à espera! Beijo Amita Enviado por In loko em julho 28, 2004 06:35 AM
Muitíssimo bom! Bjs Enviado por Jose Duarte em julho 27, 2004 10:06 PM
Sabes amita, o mesmo que acontece a quem me lê,acontece-me tb a mim. Tenho dificuldade em discernir onde começa a ficção e termina a realidade. Independentemente disso, o texto está claro. O título sugestivo. Muito bem escrito. A vida no fundo acaba por ser uma busca constante. Nem sabemos muitas vezes de quê. A insatisfação faz parte do ser humano. O que te desejo do fundo do coração é que encontres o que procuras. Desejo tanto que tu sejas feliz, quanto o desejo para mim. Já me habituei em ver em ti uma amiga que sei que és. Tens em mim um amigo verdadeiro, que passa do virtual. Quero dizer-te que gosto muito de ti. ~Beijos, querida amiga Enviado por LetrasAoAcaso em julho 27, 2004 08:59 PM