sábado, maio 6

Camuflagem



















Sobem os títulos pela casa
Isolada
Expectante
Camuflada de gente
Que não veste o que sente
E se sustenta de trocas

Doutor, quer um café?
Engenheiro, uma cerveja?
Conde que lhe ofereço hoje?
Marquês, uma água talvez…
E pensava: p’ra curar a bebedeira.

Eram mesuras, mezinhas
Saracoteios e fitas
Misturados com o chá da hora
Que se previa longa, dolente
Camuflada em contratempo
Desta música de agora

Que linda está, senhora!
Seu vestido é deslumbrante!
Madame que elegante!…
E pensava: quanta mossa...

Voavam beijos, beijinhos
Sorrisos e sorrisinhos
Naqueles olhos distantes
Que captavam deslizes
Para o corte
E em suaves meneios
Faziam pose
Para a revista na moda

Descem os títulos pela casa
Unificada
Repousante
Despida de gente

Da sombra de horas
Dormente

4 comentários:

  1. Olá Amita: novamente atravesso o oceano e venho buscar teus poemas. Esta música que toca faz a gente ficar deslumbrado com a candura e suavidade da mesma. Parabéns!

    Um beijo musical...

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  2. Aquele comentário em teu nome na Mónica fui eu quem o colocou, como de resto deves ter percebido. Depois explico-te.

    Gostei do teu poema. Parece-me diferente do teu estilo mais habitual, mas é igualmente bom.

    Beijos e boa semana.

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  3. Amita, fiquei deveras surpreendido. Que desdenhar de poema/prosa. Uma outra forma de "curar" a bebedeira lol. Um bjo e boa semana.

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  4. de fachadas feitos...
    Lindo como sempre!

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