"Chegam os Narcisos"
Meus amigos
Declaro o tema complexo.
Trabalhei em céu aberto
E algumas noites a fio.
Para que dúvidas não restem
Vos digo
Dos meus passos percorridos
Na busca do belo narciso.
Desbravei a Psicologia
Botânica, Geografia
Na Matemática m’embrulhei.
Desfolhei dicionários, revistas
Enciclopédias, jornais
Naveguei na Internet
Muitos Narcisos avistei…
Não a flor que pretendia.
Virei-me para a Mitologia.
Tanto achei de Apolo e Diónisos.
Do que formigava meus sentidos
Tudo era escasso.
De olhos vítreos cansados
Com a mente aos pedaços
Parei.
Chegam os narcisos, é certo
Mas tão serenos, tão quietos
Que só quem ouvir souber
E d’olhos despertos estiver
Percebe que na actualidade
Tantos há pelos caminhos,
Em cada pedra, luar,
Campo, deserto, no ar…
Reflectidos
No seu próprio espelho d’água
(Vermoim, poesia com tema – 4/Mar/2006)
Publicado por amitaf324 em
01:15 AM Comentar (6)Março 6, 2006
"Deambulações em final de Inverno"
Vagueio
Num deserto de mansas águas
Cada areia m’embarga a palavra
Pela brisa que me cala
Desejo
Sim... como desejo
Tudo aquilo que não posso
Não tenho
Em existência pacata
Invejo?
Não! Como poderia…
A vida é uma correria mecânica
Das sombras emudecidas
Pelo betão das cidades
Na pele sinto
As areias agrestes e finas
Nas mãos do vento Suão
Tento
O silêncio das árvores mansas
Onde peixes rochas aves
Descansam os estilhaços revoltos das águas
E dependuro o meu coração
Qu’entre passos embargados
Sangra máscaras
Que sinto e vejo (não)
Publicado por amitaf324 em
02:10 PM Comentar (2)Fevereiro 28, 2006
Poesia in "Transparência de Ser"