segunda-feira, abril 17

Dourado em Verde



Sussurros
Palavras tuas
São chocolate quente
Doce de leite com mel
Um manjar que não previa
E de laços de plumas
Cobria meu leito verde

Me enrolas a preceito
E me colas no teu peito
Com o chantilly do tempo
Das teclas nuas
Em ti me mesclo, me fundo
Qual fondue de queijo sedento
Que traços de pão sorvia

Deitados no fogo dos prados
Um em um essência vi
Na hora que se deleita
Os corpos foram dourados
Sob o sol que arde e queima
Nos suspiros de kiwi

(imagem Getty)
Posted by amitaf324 at 01:46 PM Comentários: (12)
Novembro 3, 2005

Para quem por aqui passou














Registei “Febrilidade” no tempo
das maleitas inférteis e tristes.

Com diluente limpei os dias
de ausência forçada de mim
onde um negro cansaço
se aliou às horas febris
que no meu leito vivia.

Apaguei um texto apenas
nada de mais…
no sentir insano da doença
que as letras perseguiam.

Regressei leve, serena,
para o canto das flores,
da música, das cores,
da ternura na Amizade
profunda, doce,
espalhando sorrisos
e rosas

(imagem de origem desconhecida)
Posted by amitaf324 at 07:30 PM Comentários: (11)
Outubro 30, 2005

Entre o despertar e o sonho




Amanheci ao som de um abraço viajante
Escutei a voz suave do canto
Embalado em melodia doce
Tão doce… tão meiga…
E me esfumei nas estrelas
Que no leito da noite
Dormiam

Suspensa… com elas dancei.
O manto que me envolvia
Ondulava, sussurrando: “Vem…
Aninha-te no meu colo infindo
E sente a alvura deste amor
Intenso
Profundo”

Até agora perdura o canto
Ondulante da melodia
Entre o despertar e o sonho
Que segui e sigo
Neste amanhecer sereno
Em doces sorrisos
De mais um dia

(imagem GettyImages)
Posted by amitaf324 at 03:09 AM Comentários: (18)
Outubro 19, 2005

Neste Espaço de Sons















Não me acusem os espelhos
De desamor ou traição
Símbolos escritos no peito
De mim…. águas são

Não me acusem os mares
De orgulho ou preconceito
Na demora o brilho atrasa
Os doces sorrisos… luares

Não me gritem os peixes
De plágio, esquecimento
Cada letra é cada beijo
Voando leve… o momento

Minhas letras, meus amores
Meu leito de flores, a canção
Neste espaço em sons corrido
Por tantas brumas despido
Habita a ternura das cores
A brisa amena em solfejos
Por isso
Não me acusem
Nem gritem.
Mandem-me doces
Pirilampos
De beijos

(pintura de Menez)
Posted by amitaf324 at 11:50 PM Comentários: (12)
Outubro 13, 2005

Diálogo a Solo



















Como estás? me perguntaste
Pois... Como sempre
Tudo vai bem!
Ante a surpresa da hora
Contar-te seria demora
Que não assiste a ninguém

Subtil em passos indagaste
Se no recosto estava… de ti
Se tanto te sei e te li
Meras falas são momentos
Nós que nos percebemos
Muito depois do além

Me questiono entretanto
Como diferente te cobres
Deduzes o cinza insone
Se versejo te espantas
Te perdes ante os cantos
Que se segues
Não consomes

Claro está, não me conheces!
Ora, conhecer?... Para quê?
Teu rumo de pedras é liso
Se pétalas dançam contigo
Há música que se não vê
E a barca serena desce
Nas ondas que o rio tece

Neste eterno labirinto
O sol passeia sozinho
No fio de cada instante
Em sombras se reflectindo
Nesta lonjura esparsa
Onde a mensagem a data
Se esvai no firmamento

(pintura de Ethan William Mason)
Posted by amitaf324 at 01:44 AM Comentários: (11)
Outubro 11, 2005

Trapézio













Balanços, contra-balanços, focos
Brilhos em voos… sorrisos
Danço, me lanço no canto
De tuas mãos estendidas

Desloco o vento, deslizo…

Me agarras, me enlaças
Me proteges com teu manto
No fio bem alto suspenso
Olhamos mas nada vemos…

Entoam música colorida
Espirais de rosas florindo
E laços… Tantos abraços...
Ondas de beijos na rede
S’ abrindo…

É fogo sereno
Na hora
Em que descemos
Do trapézio da vida

(fotografia de Erik Simanis)
Posted by amitaf324 at 02:42 AM Comentários: (7)
Outubro 8, 2005

Círculos













Iguais a tantos passeiam os dias
Em círculos abertos fechados
Trazem nas mãos candelabros
Solitários
Se quedam no sopé da pirâmide
Escalonada
No topo brilha uma nuvem doirada
Partículas de fogo
Que no azul espalha
Iguais a tantos passeiam os dias
Em círculos
Abertos...
Fechados...

(imagem de Joseph Gerges)
Posted by amitaf324 at 01:51 PM Comentários: (8)
Outubro 4, 2005

domingo, abril 16

Estrada do Sol Poente















Amanhã seguirei a estrada do sol poente
Nos meus cavalos brancos alados
Só música em fogo ouvirei quando parada

Amanhã despertarei em cristal de oiro e prata
Na desfolhada do Outono presente passado
A dança serei nos braços da árvore do vento

Amanhã sentirei o âmago da fonte que a sede mata
No laço dos meus cabelos guardarei o aroma fresco
Que a caixa dos sorrisos em raios o azul espalha

Amanhã, sim, amanhã renascerei tudo ou nada
Porque hoje para a essência do amor
Ainda é cedo…

(pintura de Ilana Dayan Kadik)
Posted by amitaf324 at 12:53 AM Comentários: (17)
Setembro 28, 2005

Nas Palavras



















Encontro o teu forte abraço
Na doçura do teu canto
De asas que laços tecem
Em voares infindos
Cada manhã que desperta
Cada noite que escurece
E o tempo segue sozinho

Tua voz é o meu leito
Que me desnuda em carinho
Teu olhar é meigo, meigo
Tuas mãos a ternura a espera
Em que me banhas quando
Me percorres, me embalas
Os sentidos

Entre a chuva, o nevoeiro
O cacimbo, a trovoada
O mar revolto em cascata
Resta o perfume do beijo
Daquela gaivota que passa
Em tardes enluaradas
Noites dos teus sorrisos
E se deita nua contigo
Nas palavras

(pintura de Tanja Hoffman)
Posted by amitaf324 at 01:21 PM Comentários: (21)
Setembro 20, 2005

O Mar












Ó mar quando te vejo
Passa leda a alvorada
Então vagueio e me enleio
Nos verdes da tua estrada
Nas carícias dos teus beijos
Em rochas d’ areia parda

Danço em saudade ternura
Quando teus braços de espuma
Relembram o sabor dos tempos
De aventuras, descobertas
Vidas lançadas ao Mundo
Pelas naus e caravelas

Prossigo a doce espera
Das novas que traz o vento
Mergulhando no sal claro
As gaivotas que sem medo
Bebem a neblina que amo
Se me quedo e te contemplo
Renasço no teu colo d’ água
Me teces asas
E no espaço
Plano…

(imagem de: Foureyes)
Posted by amitaf324 at 02:26 AM Comentários: (15)
Setembro 16, 2005

Palavras Rasas














Embrenho-me nas palavras rasas
Sentidos que ver não querem
Sombras negras, espaçadas
Que num esvoaçar de águas
Invadem rostos e mentes

Palavras que o saber não sente
Quando em passos afastados
Nos laços da noite dormente
Em trilhos de dor e saudade
Seguem um deslizar somente

São palavras rasas em fios
Tão, mas tão transparentes
Que em ternura sorrio e digo
Que breve fará o tempo
Da descoberta que omito
E silencio
Serenamente

(imagem de:Moonseaj)
Posted by amitaf324 at 01:08 PM Comentários: (10)
Setembro 13, 2005

Maria Rita


















Pelas pedras da calçada
Lá vai a Maria Rita
Vede quão bela ela vai
Na sua saia de chita
Em listas, rodada

Seu andar é apressado
Onde vai? Ninguém sabia
Leva braçadas de flores
Cada uma, um amor
Que cruzou por ela um dia

Seus olhos negros, rasgados
Carregam um brilho profundo
São mistérios encantados
Quem sabe, as dores do Mundo
Que o sorriso desmente
Nos seus lábios de carmim

Quando passa pela gente
Nos dias à mesma hora
Há sussurros intrigantes
Questões que a mente demora
Em fantasias sem fim

Lá vai ela, apressada
Leve, subindo a calçada…

Não é morte. É a Vida
Nos braços da Maria Rita

(imagem retirada da net indicando o autor Ninacona
suponho que é de Mancini)
Posted by amitaf324 at 06:25 PM Comentários: (27)
Setembro 7, 2005

No Dourado Areal















Rasgam-se folhas cansadas
Amarelecidas
Baladas que se escreveu
Apagam-se voos nas asas
Esquecidas
Espaço que a hora correu

Omite-se o Outono esbatido
Neblina que a estrada avivou
Cerram-se ciclos
Distraídos
Em nudez delicada
Da Mente que lá passou

E o mar se enche de peixe
O farol ganha mais brilho
Um anoitecer em luar
Estrelas cantam baixinho
Dança o sol em rodopios
E até o vento em feixes
Sopra folhas de carinho
No dourado areal
Daquele deserto silente
Onde floresce o sorriso

(pintura de Thomia Jones)
Posted by amitaf324 at 10:23 AM Comentários: (15)
Setembro 3, 2005

No Tempo ...












No Tempo que a vida nasce
Em berço de azul projectado
Não existe o quanto baste
Num mar de céus estrelado

No Tempo que a vida corre
Terna, doca, luzidia
Que pensar quando é mais forte
O saber que se sabia

No Tempo que a vida espaça
Estando certo ou não certo
A vida se veste de graça
E te diz “que bem te quero”

Se a vida tem o seu tempo
E o Tempo tem sua hora
Venham rajadas de vento
Inundações, tempestades
Avalanches, calamidades
E raiares de saudades
Que o Amor e seu sustento
Jamais tarda, não demora

(pintura de Georges Seurat)
Posted by amitaf324 at 07:07 PM Comentários: (9)
Agosto 31, 2005

Vem...vs...Vem














Vem… me sussurras ao ouvido
A todo o instante e hora
Percorramos o caminho
Com as cores dos sentidos
Hoje, aqui, agora

Vem… me dizes com segurança
Os medos são a distância
Que nos separam, querida
E eu vou, parto contigo
Me afogo no teu brilho
Que rodeia e me enlaça

Tu sabes… o teu olhar me põe louca
Quando em desejos corre por mim
Nos teus beijos eu feneço
E me sabem sempre a pouco
Na sede que sinto de ti
Desfolhas florestas e mares
Sóis, estrelas, a cor de luares
Com tuas mãos. Estremeço…

Enrolo, contorciono e me colo
E voo nesse enredo
Povoado por ti

(pintura de Dali)
Posted by amitaf324 at 06:10 PM Comentários: (25)
Agosto 25, 2005

Entre flutuantes cidades












Não sou nada nem ninguém
Serei talvez a flor que caminha
No azul livre do espaço
Entre cidades
Em mãos de areia fina

Sendo nada afinal
Serei a luz que o barco ilumina
Quem sabe… o imenso mar
Que com seu canto enleva
A espuma peregrina

Serei a nuvem que no éter se desfaz
Que em laços o sol se aninha
Gota de orvalho, o doce luar
A fresca pradaria, infinda…
Onde em musicalidades se deita
O sonho, o poeta, a poesia

Se ninguém sou sendo nada
Serei a frondosa árvore cansada
Que o beija-flor abriga
A sombra silenciada
Nas cores ténues da brisa
Que serenamente vagueia
Entre as flutuantes cidades
Com as letras da alegria
E que em paz caminha
Nas palavras

(fotografia de Romero)
Posted by amitaf324 at 02:57 PM Comentários: (15)
Agosto 20, 2005

Flor do Deserto












Há uma luz que não se apaga
Um sol que em nuvens se vê
Uma história fragmentada
Aromas que o tempo lê

Um renascer da flor do deserto
Num mar que a areia abre
Brotando sombras bem perto
Da essência que se sabe

Passos de ausência mudança
No silêncio que o vento brando
Fundo gravou na lembrança
Do sorriso aberto e franco
Transformado em antologia
Os tempos que o tempo havia

Mas clamo mui forte e alto
Para meu e vosso encanto
Viva o Sonho... a Fantasia!

(imagem de: Foureyes)
Posted by amitaf324 at 01:01 AM Comentários: (9)
Agosto 18, 2005

Breve Lento Poema













Meu amigo companheiro
Incentivo da jornada
Pretérito mais-que-perfeito
Do presente
Indicativo do tempo
Caminhado

Meu ponto de exclamação
Hipérbole alegoria
Quantos papeis já pintados
Com toda a tinta de dias
Que sempre farão
Amanheceres
Em laços

Meu breve lento poema
Minha rima imperfeita
Por ti percorro serena
Sonhos trilhos e mares
Passados que a hora espelha
E consente
O voo calmo das aves
Em entardeceres
Verdes

(pintura de Kimberly Thurston)
Posted by amitaf324 at 08:14 PM Comentários: (19)
Agosto 13, 2005

Salada de Frutas


















É maracujá, lima, ananaz
A fruta que tu anseias
Percorrendo o deserto
Te banhas
De areia
Fina

Morango, cereja, tangerina
Trajando a cor mais activa
Na rede da tua teia
Que em versos
Incertos
Encandeias

Pêssego, laranja, limão
Histórias antigas que estão
Na gaveta da mente gravadas
Esperando
Conceitos
De frescura anunciada

Ameixa, diospiro, banana
Com pêra se faz a cama
Em noites enluaradas
Meros desejos
Onde o orvalho
Se instala

É uma salada de frutas
Das que gostas e tu usas
Displiscente em água salgada
Tudo pronto e a preceito
Para quebrar o dito feito
Na quietude
Enlaçada

(pintura de Starr)
Posted by amitaf324 at 03:11 AM Comentários: (12)
Agosto 19, 2005

Tocam a dobrado... // Te ....













Olho-te, ó Imaginação que voas
No éter e cega tu ficas
Segues trilhos no deserto
Nagasaki… Hiroshima…
Tudo pó, tudo concreto
E te quedasMuda em mim

Há um Entardecer incerto
Num país que verde fora
Um tempo escuro parado
Só cinza e pó resta agora
Tocam a dobrado os sinos
No país sem rumo sem tino
Que de fumo
Se alimenta

Arde tudo em labaredas
Solta gritos a Natureza
Loucas as mãos e mentes
Que o país verde… verde…
De rubro negro pintou
Em segundos
Apenas

Nagasaki… Hiroshima…
A Imaginação chora
P’la omitida memória
Que ao deserto votou

(imagem enviada por mail sem indicação do autor)
Posted by amitaf324 at 08:53 PM Comentários: (8)
Agosto 6, 2005



"Te ....."

Te desdobro, te removo
Do tempo
Em paragens me comovo

Te simplifico, te apago
Nos mares
Esvoaçar de afagos

Te desenho, te anulo
Em luares
Asas minhas que seguro

Te percorro, te esqueço
Num momento
Folhas viro do avesso

Te questiono, te omito
No silêncio.
Lanço estrelas que sigo

Se te beijo, se te enlaço
Em cantares
São flores rubras, espaço

Se te sorrio e te sereno
Orvalhares
Dançam brilhos amenos

Não te iludo nem procuro
Por extenso
Pontes desertas seguro

No tempo...

Posted by amitaf324 at 11:11 PM Comentários: (9)
Agosto 3, 2005