
Caminhava o arrasto da sombra
sob a linha ténue da vida.
Curta a senda, longos os passos…
pela Rua das Flores que lentamente subia.
Da calçada, apenas o empedrado lhe sussurrava
uma canção antiga que trauteava baixinho
embalando a caixa de chocolate
nos seus braços trémulos e finos.
Extenuado, febril pelo sol do meio-dia
aninhou-se no degrau da soleira de uma casa
desfiando memórias encanecidas:
A licença obtida para ver a família;
A turbulenta viagem a bordo do Santa Maria;
Aqueles braços pequeninos que para ele corriam…
Adormeceu a existência do tempo
num envolvente sorriso.
(minha prestação para o 2º Jogo daqui )
Pintura de Frederick Judd Waugh
Não resisto a vir ler-te e muito em especial a comentar este poema com tanto sentido de Vida...
ResponderEliminarA imagem perfeita e linda, para este momento.
Beijinho e bom feriado ;))
A imagem que o teu excelente poema me transmite é a de um soldado que vem à "metrópole" de navio desde uma das colónias, de licença, para visitar a família.
ResponderEliminarE o filho recebe-o de braços abertos...
Algum irmão teu?
Magnífico poema cara amiga. Nunca fazes por menos...
Bfs
Beijinhos
já tinha visitado a outra casa, esta ainda não. assinalo a descida da calçada por dentro da moldura que revisitarei.
ResponderEliminarbom fim de semana:)
Olá amiga,
ResponderEliminarUm manto de palavras tecidas no coração.
Muito bom!
Beijinhos
Isa