quarta-feira, abril 30

Pela calçada do tempo
























Caminhava o arrasto da sombra
sob a linha ténue da vida.

Curta a senda, longos os passos…
pela Rua das Flores que lentamente subia.
Da calçada, apenas o empedrado lhe sussurrava
uma canção antiga que trauteava baixinho
embalando a caixa de chocolate
nos seus braços trémulos e finos.

Extenuado, febril pelo sol do meio-dia
aninhou-se no degrau da soleira de uma casa
desfiando memórias encanecidas:
A licença obtida para ver a família;
A turbulenta viagem a bordo do Santa Maria;
Aqueles braços pequeninos que para ele corriam…

Adormeceu a existência do tempo
num envolvente sorriso.



(minha prestação para o 2º Jogo daqui )

Pintura de Frederick Judd Waugh

4 comentários:

  1. Não resisto a vir ler-te e muito em especial a comentar este poema com tanto sentido de Vida...

    A imagem perfeita e linda, para este momento.

    Beijinho e bom feriado ;))

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  2. A imagem que o teu excelente poema me transmite é a de um soldado que vem à "metrópole" de navio desde uma das colónias, de licença, para visitar a família.
    E o filho recebe-o de braços abertos...
    Algum irmão teu?
    Magnífico poema cara amiga. Nunca fazes por menos...

    Bfs
    Beijinhos

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  3. já tinha visitado a outra casa, esta ainda não. assinalo a descida da calçada por dentro da moldura que revisitarei.
    bom fim de semana:)

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  4. Olá amiga,

    Um manto de palavras tecidas no coração.

    Muito bom!

    Beijinhos

    Isa

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