domingo, dezembro 8
Ví(vidas)
sexta-feira, maio 18
The beauty of pollination
Deliciem-se e tenham um fim-de-semaa excelente
http://www.youtube-nocookie.
sábado, julho 25

Talvez me voe… Talvez não…
Um poema incompleto
Seja errado, seja certo
Numa escrita de Verão
Talvez caminhe… Talvez pare…
O pensamento em ti
Talvez apenas te enlacem
Carinhos que omiti
E as árvores correm mudas
Sob os pios agudos dos pássaros
Talvez saibas e não usas
Protegendo os estilhaços
Pelos trilhos arrastados
Ante o brilho amorfo da lua
Que, nua, longínqua e crua
Se vira para outro lado
Talvez avistemos um dia
Da rosa as pétalas rubras
E dancemos a harmonia
Dos abraços apertados
(imagem de Amanda)
sábado, janeiro 3
Sofisma!... Paralogismo!...Acesa discussão prosseguia na ágora.
Num dia decididamente suave,
o eminente oráculo,
no desvendar subtil da mudança das palavras
e reencontro da acalmia e bondade,
emitiu alva carta
ao patrono das Artes:
Iluminado é aquele que aceita
a linha sinuosa dos passos.
quarta-feira, dezembro 10
Outono

Essa eterna tendência de acreditar
que todos são como nós, cientes
do Outono que nos passa levemente
Essa tendência de sofrer com as gentes
que nos cruzam por momentos
distantes ou mais perto,
quem sabe se apenas logram o caminho
de ingénua e crédula ausência
Quando verificamos o trilho inflorido
de cores, adornos pintados em fátuo vento
com afagos tão breves,
admitimos e cremos
que o tempo é uma breve passagem
permanecendo ocres ramas
de um ver que, por escasso,
não se entende
quarta-feira, maio 14
Pensamento
Se, que pensas em mim, penso
Desde a Aurora à Madrugada
Que não te valha o tormento
No que penso, não és nada.
Se não pensas nem pensaste
Quando pensavas direito
A amarga ilusão que trajaste
Pele da minha é em teu peito.
E se versejando me avisas
Com tal denodada insistência
Crê que as folhas da tua vida
Jorrando assim pensamentos
Partes são da nossa existência
Em ternos, quentes momentos.
* versos que, desde menina, ouvia meu pai cantar
(pintura de Arlette Steenmans)
quarta-feira, abril 30
Pela calçada do tempo

Caminhava o arrasto da sombra
sob a linha ténue da vida.
Curta a senda, longos os passos…
pela Rua das Flores que lentamente subia.
Da calçada, apenas o empedrado lhe sussurrava
uma canção antiga que trauteava baixinho
embalando a caixa de chocolate
nos seus braços trémulos e finos.
Extenuado, febril pelo sol do meio-dia
aninhou-se no degrau da soleira de uma casa
desfiando memórias encanecidas:
A licença obtida para ver a família;
A turbulenta viagem a bordo do Santa Maria;
Aqueles braços pequeninos que para ele corriam…
Adormeceu a existência do tempo
num envolvente sorriso.
(minha prestação para o 2º Jogo daqui )
Pintura de Frederick Judd Waugh
sexta-feira, março 21
Páscoa

Desejando
uma Feliz
Páscoa a
todos,
transcrevo
o texto de
Humberto
Tanure que
me foi enviado
pelo meu amigo
Manoel Carlos
"Páscoa é uma palavra hebraica, e a Páscoa Judaica (Pesach em
hebraico, Passover em inglês) celebra a liberação dos hebreus do
cativeiro egípcio, quando este povo atravessou o Mar Vermelho
guiado por Moisés.
Por outro lado, a Páscoa Cristã celebra a ressurreição de Cristo,
e é a data mais importante do calendário cristão.
As duas efemérides são interligadas no tempo, pois a Paixão de
Cristo aconteceu durante a celebração da Páscoa Judaica,
conforme descrito na Bíblia.
A Páscoa é uma festividade móvel, ou seja, é celebrada em uma
data diferente a cada ano.
Todas as demais festas móveis do ano eclesiástico são
estabelecidas a partir da fixação da data da Páscoa.
Seguindo o primeiro concílio de Nicéia de 325 d.C., o dia da
Páscoa Cristã é o primeiro Domingo posterior à primeira Lua
Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 Março, o dia "oficial"
do Equinócio Vernal, ou Equinócio de Outono no Hemisfério Sul.
Note que se essa primeira Lua Cheia cair num dia de Domingo,
a Páscoa Cristã é celebrada no Domingo seguinte; a razão deste
deslocamento é evitar que a Páscoa Cristã venha a coincidir com
a Páscoa Judaica, que é celebrada no dia deste particular
plenilúnio, caia ou não em um Domingo.
A Páscoa Cristã sempre ocorre entre 22 de Março e 25 de Abril.
Para as igrejas cristãs ortodoxas, a data da Páscoa é calculada
segundo o calendário Juliano, e não pelo Gregoriano como é o
nosso caso.
Numa perspectiva mais ampla, a Páscoa dá continuidade a uma
tradição pagã milenar, a celebração da chegada do Equinócio, que
marca o final do Inverno e a chegada da Primavera, evento tão
importante para os povos primitivos do Hemisfério Norte.
Neste ano de 2008 a Lua Cheia Equinocial ocorre no próximo dia
21 de Março, Sexta-Feira Santa, e a Páscoa no Domingo seguinte,
dia 23 de Abril.
Como se vê, qualquer que seja a nossa inclinação religiosa, no
próximo Domingo temos muito o que celebrar.
Feliz Páscoa para todos!
Humberto Tanure"
(imagem Google)
quinta-feira, fevereiro 28
domingo, outubro 14
Em silêncio canto
Canto o fio da mensagemCondutor das horas mortas
Do vento as ondas, a dor
Quando bate à minha porta
Canto a barca florida
Deslizando em mansas águas
A breve nota, distraída
Que me enleia e me abraça
Os finos véus de areia canto
Do deserto em ouro tecido
O luar, o monte, o mar
Do sonho, a voz ao ouvido
Das crianças canto os passos
Em crescimento contínuo
E mesmo deitada danço
Palavras de sol e abrigo
E se por Ventura as canto
Desfolho searas antigas
Ternas memórias, encanto
No nomadismo dos dias
quarta-feira, agosto 22
Vida é...

serenamente
pela Vida
terça-feira, agosto 14
Talvez... Ave...
Talvez seja uma simples telaem união de letras espalhadas
talvez um breve momento
espelho de vento que talhas
ou apenas um além em azul e prata
terra que bebes e não mata
a sede do teu rumo de silêncio
Talvez seja a ansiada espera
por ternura dos teus braços,
o sonho que em letras enfeitas
o teu mundo acordado
de penas e folhas secas
sobre a raiz do muro caiado
e que deparas da janela
entreaberta pela brisa suave
Fora eu esse talvez projectado
na substância diluída em cada traço
e dir-te-ia que o “era uma vez”
em contas de fado tecido
será da ave o doce abrigo
nas asas de um voo plano
em amor, dádiva e sorriso
segunda-feira, agosto 6
Maria
perdeu o fio à meada.
O que fará a Maria
entre linhas e fitas
de cor igual, desbotadas?
Maria em silêncio escuta
ao redor o que se passa.
Assiste incrédula e muda
ideias jorradas em brasa
por quem mais pode e usa
pressa em mostra de nada.
Sentada está a Maria
na soleira da calçada
tecendo contas à vida
tão difícil, agastada,
relembrando a correria
de canastra pelas casas -
venda que o peixe trazia -
e o pregão de cada dia
Maria soltava com graça.
Maria que o sonho abraça
com a ternura dos anos,
borda palavras em fitas -
nuvens, anjinhos, pecados -
sob o sol que tisna e traça
vínculos na face cansada.
Maria que os braços pende
com os olhos rasos de água,
pensa mas não entende
as projecções de gente
já tão rica e anafada
e que à plebe estende
migalhas, apenas migalhas.
Maria, simples Maria
mulher do povo, enjeitada
pelos anos de faina plana,
borda e ainda acredita
na liberdade, na Dita
tão triste, amarfanhada.
segunda-feira, junho 11
Breve nota
Apresento as minhas desculpas pela ausência forçada.
Estou sem computador e ainda não sei se terei de
adquirir um novo.
Este tem um sistema operativo muito diferente e,
além disso, só esporadicamente me é permitido o
acesso.
Espero que compreendam esta situação imprevista
e a todos desejo dias plenos de sol e, acima de tudo,
que sejam felizes.
Com muito carinho e amizade, um grande abraço da
Amita
sábado, maio 12
A mais bela flor

És a mais bela flor do meu jardim
em pontas suspensa.
O movimento, a alegria,
o preenchimento do dia,
da música, o aroma sonante
quando, lá fora, o sol sorria
no quarto da hora
início da tarde
E te beijo no pleno carinho
de mãe amada que tece dias
pela hora que luz se abria
perdurando a alegria serena
do que nunca tarda
Excepcionalmente, reabri este blog parabenizando
a mais bela Flor do meu ameno jardim, a minha filha.
A todos agradeço o carinho que me têm demonstrado
e apresento as minhas desculpas pelos atrasos.
Nem sempre o que se deseja se alinha nos traços.
Um bjinho a todos que, na demora, não esqueço.
(desconheço o autor da imagem)
domingo, fevereiro 18
Até sempre!
Sensibilizada, Amita agradece o imenso e inesquecível
carinho que lhe dedicaram durante a existência deste
espaço.
Com a ternura de um abraço, a todos deseja um caminho
pleno de brilhos.
Bem Hajam!
terça-feira, fevereiro 13
Sombras

Imagem de Stanmarek
Ausente de mim vagueio
Pelas palavras de nada
Que me entram em rajadas
Incongruentes
Alteradas
Em cada despertar luzente
Ruídos de posse perdidos
Pela lonjura do tempo
Se não de existência sentida
Absurdos são dementes
Na teimosia presente
De um orgulho ofendido
Cego de tudo que teve
E esvaiu em fumo
E vento
Todos os dias há máscaras
Torcidas
Diferentes
Delineadas ou espontâneas
De quem passa a vida leve
Na brisa fútil correndo…
E a voz do sorriso esmorece
Na pressão que obscurece
Cada aurora brilhante
E clara
Da vida serena
quinta-feira, janeiro 18
"Se... talvez um dia..."

Que o vento distancia
E perante o agreste silêncio
Vivemos cada momento
Como outrora se fazia
E sorvemos
O dedilhar de palavras
Rubras, escassas, imaculadas
No afago da brisa dolente
Que pelo espaço se doba
Desdobra e cala
Sob águas convergentes
E lentamente
Cerramos as pálpebras das asas
Quando a noite nos adentra
E mergulhamos no mesmo vão-de-escada
Onde os sonhos musicados
Afloram a pele ausente
Assim te bebo e te apreendo
Na hora do medo parada.
E pelos traços na estrada dos mares
Contigo percorreria
Se…talvez um dia…
De amor me falasses
quinta-feira, dezembro 28
E do amor ...

A saudade tece seus dias
Saberias, sim, saberias do seu pranto
E com leves véus cobririas
As letras breves … de encanto
Se soubesses do amor as suaves telas
Que pinto, desenho em branco
Abririas, sim, abririas folhas belas
Sobre a noite que, entretanto,
Te olvida, cinzela… calando
Mais do que tu soubesse eu do amor
Na placidez amena de um canto
Usaria em teias macias cada cor,
Contente,
E na pele do tempo banhada em flor
O areal da vida sorriria enquanto
Dormente
Meu colo embalas… de espanto
quinta-feira, dezembro 14
Apesar de tudo...

Pelo silêncio se espalha um canto
Um voo desnudo
O azul abraço do espanto
No pêndulo em horas tecido.
Um breve instante, um minuto
No leito aveludado, branco
Do rio cantado quando lido
No ondular ameno da jangada.
Apesar de tudo
Os laços que em pontas dançam
Equilibram do chão as tábuas
No rosto corado das crianças
Em amor e claridade
Na voz alegre das palmas.
E pela brisa bafejadas
Reluzem serenas asas nuas
Sobre a foz que o rio alcança
Como o amor suspende a cidade
Adormecida em oiro
E em prata despertada.



