terça-feira, abril 25

Cidade Imaginária
















Descobrem-se vozes em vendados sussurros,
dissecam-se as palavras em parcos minutos
e, das letras dispersas que pairam no ar,
saem muros que nem a ternura do olhar
espaça

Demarcam-se posições, lugares em escada,
constrói-se um roçar de lábios na praça
e, dos cantos num ultimatum emudecidos
chega a partida dos enlaces esquecidos
sem dores

Jorram-se poemas nus em cascata d’amores
perfeitos, pela aveludada aragem das flores
e, do sentido de posse marcado no espaço,
solta-se o silêncio do mundo num abraço
de sorrisos
doces

(pintura de Lucemar de Souza)



Poema in "Transparência de Ser"

sábado, abril 22

Na Hora do Arrepio












Por vezes
Quando a escassez do tempo se abre
Vagueio entre a prosa e poesia
Apanhadas ao acaso

Um dia
Encontrei belas palavras
E mergulhei inconsciente
No canto que as soletrava

Ante meus olhos corriam
Um caos em desatino
Afogado em falsas águas
Na obscuridade da noite densa
Um desafio vago, maldizente
Por flores que traços fazem
Uma obsessão demente
De utopia perdida no tempo
Na orla de sílabas espaçadas
Um caminho não cumprido
Que o Amor, a alegria
Consigo não traz

Tão iguais eram as palavras enfeitadas
Para agrado… sem brilho
Que fiquei suspensa na hora do arrepio
Adormecendo semanas

Quantas vezes
Um vazio desconhecido
Emudece o silêncio
Sereno
Da Paz



Poema in "Transparência de Ser"

terça-feira, abril 18

Os Cinco Sentidos













Na dança dos sentimentos
Em brancas letras me espraio
E desperto os sentidos
Canções de cada momento
Nesta ternura que avisto
D’um Outono em flor de Maio

Se te olho não te vejo
Se te toco não te sinto
Me falas e eu vagueio
No tempo do teu abrigo

No aroma que não cheiro
Desenho círculos e traços
Pontos mudos em abraços
Que serena saboreio

Se brancas palavras escrevo
E deslizam meus sentidos
Pinto beijos flores sem medo
Deste Abril num voo antigo
Qu’em laços perdura um vento
Feito de Amor e sorrisos

segunda-feira, abril 17

Chegam os Narcisos//Deambulações em final de Inverno

"Chegam os Narcisos"

Meus amigos
Declaro o tema complexo.
Trabalhei em céu aberto
E algumas noites a fio.
Para que dúvidas não restem
Vos digo
Dos meus passos percorridos
Na busca do belo narciso.

Desbravei a Psicologia
Botânica, Geografia
Na Matemática m’embrulhei.
Desfolhei dicionários, revistas
Enciclopédias, jornais
Naveguei na Internet
Muitos Narcisos avistei…
Não a flor que pretendia.

Virei-me para a Mitologia.
Tanto achei de Apolo e Diónisos.
Do que formigava meus sentidos
Tudo era escasso.

De olhos vítreos cansados
Com a mente aos pedaços
Parei.

Chegam os narcisos, é certo
Mas tão serenos, tão quietos
Que só quem ouvir souber
E d’olhos despertos estiver
Percebe que na actualidade
Tantos há pelos caminhos,
Em cada pedra, luar,
Campo, deserto, no ar…

Reflectidos
No seu próprio espelho d’água

(Vermoim, poesia com tema – 4/Mar/2006)
Publicado por amitaf324 em 01:15 AM Comentar (6)
Março 6, 2006



"Deambulações em final de Inverno"

Vagueio
Num deserto de mansas águas
Cada areia m’embarga a palavra
Pela brisa que me cala

Desejo
Sim... como desejo
Tudo aquilo que não posso
Não tenho
Em existência pacata

Invejo?
Não! Como poderia…
A vida é uma correria mecânica
Das sombras emudecidas
Pelo betão das cidades

Na pele sinto
As areias agrestes e finas
Nas mãos do vento Suão

Tento
O silêncio das árvores mansas
Onde peixes rochas aves
Descansam os estilhaços revoltos das águas
E dependuro o meu coração
Qu’entre passos embargados
Sangra máscaras
Que sinto e vejo (não)


Publicado por amitaf324 em 02:10 PM Comentar (2)
Fevereiro 28, 2006



Poesia in "Transparência de Ser"


Vida



















É dor, esperança, alegria.
Um sentir que se amofina
ante um olhar calado.
Um mar que nos beija, encanta
e com seus passos de dança
apaga rastos de outras vidas,
esboços na areia branca.
Um acto de amor em crescendo.
O germinar de sementes
com sorrisos de dor.
Deserto onde uma flor desponta
num arco-íris de cor.
Uma voz arrastada e rouca
espalhando a sua sina.
Fragmentos de vento
na tristeza escondida
de seres que nada contam.
Uma omissão que se pinta
em solfejos musicais,
se sofrida, se faminta…
Um coração comprimido
d’um amor que não alcança
aquela mão estendida
por ternura, da criança.
Uma montanha, uma rocha
uma árvore florida.
Simplicidade, fantasia
tecidas em fios de prata.
Uma nascente, uma fonte
uma pinga espreguiçada
que a sede ao velho mata
cansado e corcuvado
de tanto cavar a vida.
Banco ou vão d’escada
em cada canto, esquina
quando o tempo adormece
pelas moitas e estradas
o arrasto do peso de dias
de teias sem luz tecidas
nos passos amorfos, dolentes
dos malabaristas da vida.

A cegueira não entendo
mas sigo serenamente
lançando amor
e sorrisos
pela Vida

(pintura de Jane Yechieli)
Publicado por amitaf324 em 02:49 AM Comentar (7)
Fevereiro 19, 2006

Viagem // Dualidade

"Viagem"

Recuso!Dizes e eu acredito
Que seguir tuas palavras
Do verbo no infinito
Tece espelhos de prata

Recuso!Interiormente murmuras
E essas palavras duras
Não as segues
Nem te encantam

Me dizes nessa distância
Se nada existe nas letras
Como podes contemplar
O mar com suas vagas
O sol qu’esconde o luar
E em doçura amena
Desenhar o poema
Na constância

Não recuses nem t’espantes
Pelo nosso caminho errante
Habita um ponto comum
De onde derivam raios
Anseios de amor e luz
Não esmorece, constante
Fruto d’essência sentida
Mui breve cheia de vida
Tu és eu e eu sou tu.

Não recuses das letras
Seus passos serenos
No caminho nos sabemos
Inteiros e nus.

Publicado por amitaf324 em 02:08 PM Comentar (5)
Fevereiro 14, 2006



"Dualidade"

Doce sol-mar quente e terno
Encobre seus fios breves
Entre palavras de fogo

Olvidos de quem não teme
Não pretende e nem segue
Em cada cantar o brilho
Das folhas os voos silentes
Na dança em que renasço

O sol em letras se sabe
Evaporando o sorriso
Em éter forma o nada
O doce abrigo a estrada
Que corre sempre consigo

Doce amor que bem quisera
Saber-me unida na espera
De cada palavra sua
Que em delongas se atrasa
E se perde pela rua
Do mar qu’em letras se abre

Cada quimera é um laço
Dois pontos um só traço
No mar-sol serena me quedo
No beijo do seu abraço
Amor tão longo tão breve

Publicado por amitaf324 em 05:15 PM Comentar (7)
Fevereiro 9, 2006

Tempo de Inverno













Deslizo nas horas sem tempo
Nas letras tristes recebo
Em forma d’aviso
As vagas do grito
Nessa dança penetrante
Da ave que busca o sorriso
Que se espaça
Distante

Tu sabes é tempo d’Inverno
Cobrem-se de véus os brilhos
Do branco que acontece.
No espaço não previsto
Cada floco é um reflexo
D’amor doce etéreo
Em sintonia constante

Por muito que os flocos
O vento transporte
Manténs a elegância o porte
De um silêncio sentido
Mergulhas num mar ausente
As vibrações que te chegam
Doces, d’azul plenas
São do sonho meu abrigo
Nas hora d’Inverno dolente
Que em voos sigo
Serena
Timidamente

(pintura de Marc van der Leeden)
Publicado por amitaf324 em 03:47 PM Comentar (6)
Fevereiro 4, 2006

Sal de Fogo
















Dedilho-te com dedos febris
Onde gotas de sal acontecem
Sorvo-as uma a uma lenta
Len-ta-men-te
E estico
As cordas do tempo
Nas teclas dormentes
Aromas…
Sabores mil

Desmembro os cristais
As pérolas, os traços
Não hesito
Ávida percorro os sons
Na sinfonia de fogo
Que aquece
Endoidece.
Em mergulhos loucos
Me quedo…
Dedilho
O agri-doce dos sonhos
Que permanecem nos dedos
Suaves…
Febris...


(pintura de Nide)
Posted by amitaf324 at 11:15 PM Comentários: (7)
Janeiro 28, 2006

Flor de Laços















Pelo canto
Pelo abrigo
O beijo
O abraço
Me feneço contigo
No infinito
Sereno
Dos laços
Que lentamente
Em iluminuras
Sorrisos
Traço

(imagem enviada por mail)
Posted by amitaf324 at 02:46 PM Comentários: (1)
Janeiro 27, 2006

Doce Memória














Seis da manhã…
Inda a lua embalava
A amena Alvorada
Onde o sol s’estendia
Adormecido
Em sussurros de paz

Despertou em águas mornas
Que em seu leito corriam
O sono abanou a hora
Da suave melancolia
Num leve espanto
Que o seu ar sereno
Constante
Não entendia.

Inocência de tempos
Distantes
Diferentes
Dor em luz de amor
Nascida por bem
Nas mãos pequeninas
Desfolhando sorrisos

Memórias são encantos
Doces ternos brilhantes
Em Parabéns vividos

(Ao meu filho pelo dia de ontem)
Posted by amitaf324 at 01:27 PM Comentários: (11)
Janeiro 22, 2006

Até breve .. Até sempre ...




Caminho pela areia
Do deserto
Meus passos, de tão leves
Rastos não deixam…
Nem traços...
O doce canto
O vento os apaga
Obscurece

Longe… muito ao longe
Avisto um oásis
A água mater
Que ilumina e encandeia
O sol dos dias
Nas horas mortas
Do caminho sereno
Lento
Levíssimo
Que riscos não deixa
Apenas sorrisos
E rosas…


(fotografia de GettyImages)
Posted by amitaf324 at 09:21 PM Comentários: (7)
Janeiro 7, 2006

Serena canto ...






Quisera cantar o poema doce
Dançar nas ondas do mar
E no brilho suave d’estrelas
Quisera em pontas ficar

Quisera pintar amores
Dos perfeitos, mais bonitos
E das cores, as mais belas
Enfeitar o meu vestido

Dissipar a branca neblina
Que esta cidade envolve
E dançar, dançar o dia
Na ternura que me move

Quisera correr os campos
Onde s’espelham as flores
Mitigar todas as dores
Em laços soltar meu canto

Se o fuso do vento passa
Em sibilantes latidos
Hoje espalho a Graça
Com fios eu bordo brilhos
E queira eu ou não queira
Serena teço sorrisos
Na voz dos voos imperfeitos
Que entoo com carinho

(imagem: GettyImages)
Posted by amitaf324 at 02:23 PM Comentários: (18)
Dezembro 26, 2005

Boas Festas




Cristais
Pérolas de fogo
Reluzentes
Seda das flores
Carinhosas e ardentes
Em laços transformados
Iluminuras
Vitrais
A ternura dos sorrisos
Abraço constante
Nunca esquecido
Uma teia de pinturas
Transparências
Melodias doces
Luar, sol e mar
O saber despontado
Em luz e cor
São vocês todos
Meus amigos
Para quem escrevo
O profundo desejo
D’alegres Festividades
Um Novo Ano de sonhos
Realizados
Em cada amanhecer
Sereno
De Paz

(imagem: GettyImages)
Posted by amitaf324 at 02:23 PM Comentários: (14)
Dezembro 19, 2005

Sombras


Ausente de mim vagueio
Pelas palavras de nada
Que me entram em rajadas
Incongruentes
Alteradas
Em cada despertar luzente

Ruídos de posse perdidos
Na lonjura do tempo
Se não existência sentida
Absurdas são dementes
Teimosamente presentes
D’um orgulho ofendido
Cego de tudo que teve
E esvaíu em fumo
De vento

Todos os dias há máscaras
Torcidas
Diferentes
Delineadas ou espontâneas
De quem passa a vida leve
Na brisa fútil correndo…
E a voz do sorriso esmorece
Na pressão que obscurece
Cada aurora brilhante
Clara
Serenamente vivendo


Posted by amitaf324 at 03:24 PM Comentários: (6)
Dezembro 12, 2005

Laços na Distância




Por vezes sou o embalo da dança
Caminhante nas pontas das horas
Que voa em seus passos serenos

Por vezes o fogo que se ateia
Em simples letras apenas

Por vezes sou a doce calmaria
Que o amor em ternura espelha

A ausência das águas da lua
Que no meu leito se banha

Mas há uma luz que incendeia
Um sorriso que se espalha
Um voar doce constante
Que a Natureza enfeita
Laços de Fraternidade
Puros
Singelos

Na distância

(imagem: GettyImages)
Posted by amitaf324 at 11:46 PM Comentários: (9)
Dezembro 2, 2005

Brincando ...

Tão diferentes tão iguais
O traço percorro contigo
Se feneces nos meus ais
No teu enlace eu revivo

Se passeio na pradaria
No mar banhas teus pés
Quando só azul eu via
De cinza cobrias véus

Se te banha tempestade
O sol em mim tu o lês
Quando falo da verdade
Foges dela a sete pés

Se de peles te enfeitas
Eu visto tua epiderme
Se com elas te deleitas
De mim sentes o germe

Se faço um traço tu riscas
Se t’ escrevo não respondes
Mas se me mandas missivas
Em silêncio me escondes

Tu amas a poesia
Eu no poema vagueio
Na minha cama vazia
Te deitas e não te vejo

A luz que mantenho acesa
Quer de noite quer de dia
Sustem um querer sereno
De quem sabe e se sentia
A estrada o trilho imenso
Que se expande sorrindo
No baile das folhas verdes
As flores de nós no carinho
Sendo iguais são diferentes


Posted by amitaf324 at 02:46 PM Comentários: (14)
Novembro 25, 2005

Rosas do Deserto














Banhei formações rochosas
Em água pura e cristalina
Que el Djerid floriu em rosas
Com aroma de maresia
Desligando-as da poeira
Que o tempo lento cobrira

Cintilaram pela aurora
Nas flâmulas que o sol trazia
Jorrando fios de sonhos
Onde meus olhos pousaram
Nos embalos das cores
Da queda livre sentida

Corri no oásis da emoção
Que a estrada de areia seguia
E na branca solidão do deserto
Colori com muito carinho
O silêncio do sorrriso doce, terno
Qu’ el Djerid em ouro m’ oferecia
Nas águas puras, cristalinas


(Aos meus Amigos que tanto prezo e amo sem distinção de sexo, credo ou raça, e a todos os que por aqui passam, conhecidos ou não, e que o seu carinho me deixam, peço desculpas pela ausência, mas nem sempre o Tempo consente que directamente vos abrace. Assim sendo, com toda a ternura vos desejo muita Luz, Paz, Amor e serenidade)
Posted by amitaf324 at 12:22 AM Comentários: (8)
Novembro 21, 2005

Voos



Me sentes em cada hora
Que de ti eu mais preciso
Que dizer se sentido sentes
O meu refúgio meu abrigo

Se nas folhas do vento
Em rodopios te sinto
Que fazer no tempo dolente
Dos véus d’água oferecidos

Assim se sente quem sente
Cores rosas e navios
Que fios tece por entre
Fráguas e nos mares ditos
Espalha seus sentimentos
E só sente se me sente
Consigo no passeio sereno
De luz amor e sorrisos

(imagem de: Walter Tatulinski)
Posted by amitaf324 at 01:10 PM Comentários: (10)
Novembro 15, 2005

A Barca



















Perdi a barca, senhora,
Que vai para a outra margem
E não sei como alcançá-la
Escassa o tempo p’rá viagem

Na infertilidade do dia
A tempestade lá fora
À minha casa batia
Saltando muros e portas;
No vaguear dos passos
Das vozes emudecidas
Arrastando as correntes
Grilhetas da apatia
Que a hora em compassos
Os ponteiros espremia;
Na febrilidade do fogo
Que o sol de cinza cobria
E os mares revoltados
Pariram calamidades
Que o homem de braços
Pendentes, adormecia;
Nas dores e nos tormentos
Do voo rasante das aves
Suas penas foi perdendo
Espalhando pelo vento
Temores de liberdade

Perdi a barca, senhora,
Na aurora do dia claro
Na noite que o farol abriga
Aquele luzir constante
Dessa mesma travessia
Da hora que foi perdida
E não sei como encontrá-la

(imagem retirada da net)
Posted by amitaf324 at 10:10 AM Comentários: (13)
Novembro 10, 2005

Querida, como te adoro....


















O teu porte é elegante
Esguio, olhar distante
Próprio dos sonhadores

O tempo, teu inimigo
Não o é se estás comigo
Perdido em mel d’ amores

Sussuro-te terna ao ouvido
Como te adoro, querido!
Cada vez que me abraças

Sorris e dizes baixinho
Meu terno amor, meu carinho
Encantos teus que não passam

Deslizas em meu corpo e mente
Em alvorecer ditoso, luzente
Momento eterno, sem fim

O fulgor desponta mansinho
Em sábias mãos, pele, no ninho
Enlevo de amante em mim

Palavras, letras, em poema
M’envias sem que a mão trema
Querida, como te adoro!

O tempo em tempo foi passando
Cada minuto, segundo, um encanto
De paixão, ardor, que devoro

De rubro escarlate vestido
Sentes que vais diminuindo
Perdido no meu abraço

Não temos inconfidências
Meu Lápis… só as demências
Que serenamente enlaço.


Posted by amitaf324 at 10:20 PM Comentários: (6)
Novembro 7, 2005