segunda-feira, junho 11
Breve nota
Apresento as minhas desculpas pela ausência forçada.
Estou sem computador e ainda não sei se terei de
adquirir um novo.
Este tem um sistema operativo muito diferente e,
além disso, só esporadicamente me é permitido o
acesso.
Espero que compreendam esta situação imprevista
e a todos desejo dias plenos de sol e, acima de tudo,
que sejam felizes.
Com muito carinho e amizade, um grande abraço da
Amita
sábado, maio 12
A mais bela flor

És a mais bela flor do meu jardim
em pontas suspensa.
O movimento, a alegria,
o preenchimento do dia,
da música, o aroma sonante
quando, lá fora, o sol sorria
no quarto da hora
início da tarde
E te beijo no pleno carinho
de mãe amada que tece dias
pela hora que luz se abria
perdurando a alegria serena
do que nunca tarda
Excepcionalmente, reabri este blog parabenizando
a mais bela Flor do meu ameno jardim, a minha filha.
A todos agradeço o carinho que me têm demonstrado
e apresento as minhas desculpas pelos atrasos.
Nem sempre o que se deseja se alinha nos traços.
Um bjinho a todos que, na demora, não esqueço.
(desconheço o autor da imagem)
domingo, fevereiro 18
Até sempre!
Sensibilizada, Amita agradece o imenso e inesquecível
carinho que lhe dedicaram durante a existência deste
espaço.
Com a ternura de um abraço, a todos deseja um caminho
pleno de brilhos.
Bem Hajam!
terça-feira, fevereiro 13
Sombras

Imagem de Stanmarek
Ausente de mim vagueio
Pelas palavras de nada
Que me entram em rajadas
Incongruentes
Alteradas
Em cada despertar luzente
Ruídos de posse perdidos
Pela lonjura do tempo
Se não de existência sentida
Absurdos são dementes
Na teimosia presente
De um orgulho ofendido
Cego de tudo que teve
E esvaiu em fumo
E vento
Todos os dias há máscaras
Torcidas
Diferentes
Delineadas ou espontâneas
De quem passa a vida leve
Na brisa fútil correndo…
E a voz do sorriso esmorece
Na pressão que obscurece
Cada aurora brilhante
E clara
Da vida serena
quinta-feira, janeiro 18
"Se... talvez um dia..."

Que o vento distancia
E perante o agreste silêncio
Vivemos cada momento
Como outrora se fazia
E sorvemos
O dedilhar de palavras
Rubras, escassas, imaculadas
No afago da brisa dolente
Que pelo espaço se doba
Desdobra e cala
Sob águas convergentes
E lentamente
Cerramos as pálpebras das asas
Quando a noite nos adentra
E mergulhamos no mesmo vão-de-escada
Onde os sonhos musicados
Afloram a pele ausente
Assim te bebo e te apreendo
Na hora do medo parada.
E pelos traços na estrada dos mares
Contigo percorreria
Se…talvez um dia…
De amor me falasses
quinta-feira, dezembro 28
E do amor ...

A saudade tece seus dias
Saberias, sim, saberias do seu pranto
E com leves véus cobririas
As letras breves … de encanto
Se soubesses do amor as suaves telas
Que pinto, desenho em branco
Abririas, sim, abririas folhas belas
Sobre a noite que, entretanto,
Te olvida, cinzela… calando
Mais do que tu soubesse eu do amor
Na placidez amena de um canto
Usaria em teias macias cada cor,
Contente,
E na pele do tempo banhada em flor
O areal da vida sorriria enquanto
Dormente
Meu colo embalas… de espanto
quinta-feira, dezembro 14
Apesar de tudo...

Pelo silêncio se espalha um canto
Um voo desnudo
O azul abraço do espanto
No pêndulo em horas tecido.
Um breve instante, um minuto
No leito aveludado, branco
Do rio cantado quando lido
No ondular ameno da jangada.
Apesar de tudo
Os laços que em pontas dançam
Equilibram do chão as tábuas
No rosto corado das crianças
Em amor e claridade
Na voz alegre das palmas.
E pela brisa bafejadas
Reluzem serenas asas nuas
Sobre a foz que o rio alcança
Como o amor suspende a cidade
Adormecida em oiro
E em prata despertada.
quarta-feira, novembro 29
Urgentemente

É urgente o amor
É urgente destruir certas palavras –
Ódio, solidão e crueldade…
É urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros
E a luz impura até doer
É urgente o amor,
E urgente permanecer.
sexta-feira, novembro 17
em rosa rubra
Nos teus braços de palavras
Me enrolam carícias mudas
Qual rosa rubra despontada
Que seu doce aroma espalha
E pelo espaço perdura
Soltam-se pelas cidades, inter muros
Os pontos que no Tudo abarcam
Estilhaços esvaídos em leve fumo
Quando em ti me lês nos traços
Desprendidos, planos, profundos
Sob as longas raízes criadas
Me enfeitas e desnudas
A serenidade dos passos
O beijo que o vento permuta
Esse encontro inesperado
Num qualquer presente-passado
Feito de essência e candura
Assim me enlaçam palavras
Fragrâncias de rosa rubra
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
Poema in "Transparência de Ser"
segunda-feira, novembro 6
Sem Tempo ...

E falamos com leveza
E sorrio… sorris…
Que fio… que fias…
Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)
Poema in "Transparência de Ser"
sexta-feira, outubro 27
Flores

Os lírios, as açucenas
Os tapetes de rosas que trilhas
São cânticos de árvores antigas
Na sua rama serena
E dás-me as boas-vindas
E te desfazes em traços
Prolongando o abraço
Que o tempo distancia
E a hora treme de estrelas
E me dizes: corre, avança
Nesse cantar de criança
Desfolhado em brancas penas
Quando o silêncio se abre
Na acalmia que sabes
E em segundos voas, apenas
Descem pelas folhas, sobre mares
As orvalhadas pétalas das flores
Qual árvore por terra jorrada
Livre, já despojada
Dos sons utópicos da noite
Sorvendo do passado os lamentos
De quem seguiu outra estrada.
E os brados dispersos do vento
Em sol se abrem no aconchego
Do pó de areia no deserto
Como renascem no Outono
As flores delicadas e singelas
Em sorrisos ternos, amenos.
terça-feira, outubro 17
A Palavra e o Poema

Bailando entre cada espaço branco de linhas
Quando desenhas ou pintas
A palavra túrgida
Na polpa sumarenta da escrita
Como eu gosto na palavra o desenho
Esbatido, sombreado em cada traço
Na concisão daquele toque inteiro
Como bagos de uva pendentes
Em rubro cacho
Como eu gosto no dedilhar leve os conceitos
Em comunicantes solfejos de música
E do perfume o sabor a forma lúdica
Pairando no corpo do céu
Onde no ilimite a paisagem copula
E a palavra avança voluntariosa e surda
Pelos espaços brancos gemidos de linhas
Sempre que a cobres desenhas ou pintas
No prazer do mistério feito véu
Desligada do ocaso que acende ou mina
O avesso do mundo onde o poema flutua
(pintura de Graça Martins)
terça-feira, outubro 10
O Regresso

E me indago: porquê?
Se já nem o próprio tempo
Se reveste das folhas doces
E sombra sépia de nós é
E sempre me pergunto pelo farol suspenso
Pelo voar pleno, imenso
Entre as cores deslizantes de um só traço
Que na minha caixa guardo
E onde plano… inconsciente
Ao mesmo ponto de partida regresso
Leda, nua, incauta e breve
Da fuga que a razão proclama
Pela casa, o esquecimento
Pelas janelas que a brisa traça, abertas
Pelas portas irisadas, amarelas
Pelo alpendre das ondas translúcidas
Gotejantes em forma de letras
Na escada onde me abrigo e suspendo
O ar rarefeito do tempo
E releio do sorriso a envolvência
Dos pontos leves que sigo
Do silêncio a transparência
Quando em branco me sento
Leve me surpreendo
E me indago: porquê?!!!
domingo, setembro 24
O Fado

Sempre te cubro, destapo
Me envolvo em teus fiapos
Quando pairo em tua voz.
Mas se faz calor ou frio
Em ti me aninho, sorrio,
M’embebo na pele de nós.
Te sento no banco a meu lado
Nas cordas silentes te agarro
Nesse dedilhar de fado dolente
Que percorre lesto, inconsciente
Num terno, breve momento
Em que solto te vejo, intenso.
Me acarinhas, dobras, caminhas
Num sopro de dedos apressados
Na viola qu’em traços de fado
Acedes, entonteces, confirmas
Com esses sons rubros, alados
Em gotas vertidos no espaço.
E cada vez que acaba o fado
Permaneço assim nesse estado
Suspenso, absurdo, irónico,
Anguloso, irreal, lacónico
E me pergunto, indago sem voz
Se a canção partida é voo de nós.
quarta-feira, setembro 6
Nunca…

Imagem de Jean del Ville
Criam-se hábitos e ritos
Sublinhados pelos anos
E no sufoco do grito
Mergulhos há que nos dançam
Em profundas mansas águas
No silêncio se medita
Içam-se frágeis cabanas
Dizeres de Nunca ditos
Pelas sombras se espalham
Como garras afiadas…
E pelos sulcos dos anos
Deslizam orvalhos pesados
Que ao longe saudades ditam
Em apelos e mensagens
No colo que tudo abriga
Que resolve e simplifica
Em suaves e ternas palavras
E que cobrindo se destapam
Das sombras surdas
Na inconstância dos passos.
Quantas vezes não existo...
Mas sou humana!
terça-feira, agosto 22
Manto claro em rubros dias

Imagem de autor desconhecido
Teci um manto brilhante
De raio de sol, de estrelas
Do ondear da serrania
A sonoridade mais bela
Tudo misturei em verdes
Pinceladas, mui singelas
Onde eras? Não sabia…
Encanto meu, doce enlevo
Luz d’aurora, despertar
Sussurro de entardecer
Noite rubra do meu canto
Em cada letra te bebo
Sem haver um olvidar
Vagueio em mares revoltos
Ou mui ternas calmarias
Sentindo nos alucinantes
Mantos claros, rubros dias
Anseios loucos, tão soltos
Na tua busca incessante
Perdição minha, ternura
Feitiço, quimera de amor
Em súplica elevo a prece
No mar da lua enfraquece
Esta chama, fogo em pugna.
Do coração se me esquece
E me estremece o fervor
sábado, agosto 12
Reflexos
Tu tão longe e eu tão perto
Já ali, ao virar daquela esquina
Num degrau da escadaria estreita e fina
Nos passos sem rasto do deserto…
Mordaças nas ondas brancas do dia
Onde as cores no rosto se aninham
Como flores cantando alegria
No meu olhar circunspecto
Pela vida. E caminho… caminhas…
Tu tão longe e eu tão perto.
Balanço de letras escassas
Pairando nos fios das águas
Do meu céu verde em dança leve
Que avisto e que sinto
Na face colorindo reflexos
De ti, de mim, me espaço breve
sexta-feira, agosto 11
Trovas e contra-trovas em parceria III

Passatempo, passarinho
Passa tudo devagar,
Passando o tempo, sozinho,
Tempo custando a passar…
Marcos
Passarinho, passa o tempo,
Custando, tão só, a passar…
Te trago um alegre vento
Num passatempo entr’o mar.
E esta voz que s’encanta,
Sussurros do teu vozear,
Brincando como criança,
Sorri e dança… a cantar.
Amita
terça-feira, agosto 8
Trovas e contra-trovas em parceria II
Belos e doces momentos
Aqui o fado é saudade
Assim meu canto suave
Amita
O vento que, em tempestade,
Vento que queima e que arde,
A saudade é lusitana
Vento me traz, doce nave,
Marcos
sexta-feira, agosto 4
Como dois rios...

Imagem de Susan Rios
Como dois rios*, atravessam o espaço
Na difusão da Beleza em palavras
Nada pretendem, nem querem
A solidariedade espalham
Em plena Dádiva
São rios de águas límpidas e claras
Por eles me curvo
Em silêncio os saúdo
E enlaço
Sobre meu leito sereno
De rosas luzentes e pálidas
Onde amanheço
Num mar de prata


